24/04/2007

DIGA NÃO À IDEOLOGIA NAZI

Em primeiro lugar quero pedir desculpa aos leitores deste Blog pelo facto de demorar tanto tempo a publicar novos textos. Não significa isto, que não existam temas interessantes a abordar, só que infelizmente o tempo é sempre pouco... e por outro lado, ser apenas uma pessoa a manter actualizado um blog desta natureza é um pouco complicado…contudo, vou fazendo o que me é possível com a consciência plena de que é sempre possivel fazer melhor.
Em segundo lugar e como norma deste Blog ,quero fazer uma pequena introdução ao próximo trabalho a publicar brevemente, cujo tema será: A EMERGÊNCIA DE MOVIMENTOS ULTRA-NACIONALISTAS , APOLOGISTAS DO IDEAL DO NACIONAL SOCIALISMO .
Estes movimentos, que um pouco por toda e Europa têm vindo a surgir, devem ser encarados com alguma preocupação, porque eles, pese embora o facto de não terem grande representatividade nas sociedades europeias, poderão contudo, aproveitar o facto de uma enorme percentagem dessas populações não se reverem neste tipo de democracia neo-liberal.
Aqui , em Portugal , este fenómeno não foge a regra …e agora que estamos a comemorar o 33º. aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974, o dia da liberdade, faz todo o sentido trazer para a discussão pública o combate a esses grupos de extrema direita, desmascarar o que foi a longa noite fascista em Portugal , que durou 48 anos, e aquilo que ficou conhecido como o grande holocausto da humanidade: O Nazismo.

É sobre esta temática que me proponho escrever e convosco debater ideias e conceitos.

Até breve.


Manuel Bancaleiro

24/02/2007

TAXA TOBIN E A LUTA CONTRA A FOME

I

A forma como as sociedades contemporâneas evoluíram, levaram à globalização neo-liberal do capital. É esta nova fase da sociedade capitalista que impõe não apenas a eliminação física das fronteiras históricas existentes entre nações, mas também impõe a eliminação dos poderes dos Estados, tanto em matéria de politica económica como em políticas sociais e ambientais, por forma a poderem movimentar sem qualquer controlo à escala mundial somas astronómicas de capitais provenientes de especulações bolsistas e cambiais, da deslocação dos meios produtivos sem o mínimo respeito pelas economias e populações locais, deixando um rasto de miséria e de fome em milhões de seres humanos.
* * * * *
É perante esta situação dramática que faz todo o sentido falar num economista que foi prémio Nobel da Economia em 1981 – James Tobin – efectuou diversos trabalhos de investigação nas áreas financeiras e monetárias, nomeadamente sobre as relações entre a produção e o emprego e os custos de produção e os mercados financeiros. Porém, o que o tornou mundialmente conhecido foi a proposta que formulou, durante umas jornadas universitárias, que consistia na aplicação de uma taxa a todas as transacções monetárias mundiais. Tendo ficado conhecida como a Taxa Tobin. Um dos objectivos dessa taxa era erradicar a fome nos países do terceiro mundo, ela era apenas de 0,1% por cada transacção, o que significa que quem fizesse uma transacção de mil dólares , pagaria apenas a quantia simbólica de um dólar.
* * * * *
Contudo, essa quantia simbólica, tendo em conta o volume astronómico de capital que se movimenta diariamente através das bolsas internacionais e que, segundo os cálculos rondam os 1.500 mil milhões de dólares, daria uma cobrança anual , qualquer coisa como 200 mil milhões de dólares . O suficiente para que em poucos anos se erradicasse a fome no nosso planeta…e apenas com esta taxa simbólica, que incide somente na especulação bolsista…agora imagine se conseguisse-mos ir um pouco mais além??!!
Porém, a sua aplicabilidade foi logo posta em causa pelos especuladores bolsistas e pelo grande capital que se agarraram a alguns problemas de ordem técnica - jurídica sobre quem iria receber e gerir os valores dessa taxa, se o Estado onde ela foi gerada ou se um outro qualquer organismo internacional, o que neste caso teria de ser objecto de concertação internacional …e assim se tem mantido neste impasse o que nos leva a perguntar : será que alguma vez esta ou outra qualquer taxa irá ser aplicada às grandes especulações bolsistas e cambiais, para bem da humanidade?

II

Segundo os dados fornecidos pelo Programa Alimentar Mundial estima-se que a fome mata todos os dias 25.000 pessoas, ou seja, morre à fome uma pessoa de 3,5 em 3,5 segundos, que se acrescentam aos 400 milhões que já morreram de fome nestes últimos 50 anos (o equivalente à soma das populações dos EUA, da Alemanha e da França). Isto significa que morre 1 criança de 5 em 5 segundos, algures no mundo, ao mesmo tempo que são desperdiçadas perto de 12 toneladas de comida e em que 1.500 mil milhões de dólares andam em circulação diariamente à espera das flutuações cambiais.
800 milhões de pessoas passam fome, dessas cerca de 60 milhões estão em risco iminente de morrer à fome em todo o mundo. Os restantes são pobres, que não conseguem escapar à pobreza e cuja principal preocupação é arranjar comida para a refeição seguinte, mas que não aparecem nunca nos nossos ecrãs de televisão.
A si, bastaram-lhe apenas cinco minutos para ler este texto, mas durante esse tempo mais de 85 pessoas terão morrido à fome.
Revoltante, não é???







Manuel Bancaleiro

04/02/2007

Próximo trabalho a publicar

Nesta Era da globalização neo-liberal, que mais não tem feito, do que colocar milhões e milhões de seres humanos no limiar da pobreza, enquanto que no outro lado enormes fortunas emergiram, com base na especulação bolsita e cambial, faz todo o sentido falar em James Tobin, prémio nobel da economia em 1981 e da sua proposta efectuada através da Taxa Tobin com o objectivo de erradicar a fome no mundo.
É sobre este enorme e vergonhoso drama "A FOME" e sobre a taxa Tobin que me proponho falar no proximo trabalho que brevemente irei publicar.
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Até lá temos todos que nos empenhar... TODOS sem excepção nesta luta pelo fim da humilhação da mulher portuguesa... pelo fim da criminalização da Interrupção Voluntária da Gravidez .
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DIA 11 DE FEVEREIRO VAMOS TODOS VOTAR SIM
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Quero apenas aqui deixar uma reflexão :
Se o NÃO ganhar??!! Vai deixar de existir abortos clandestinos?
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Se o SIM ganhar alguma mulher será obrigada a abortar contra a sua própria vontade?
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Pense nisso, não se deixe manipular!!
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Dia 11 de Fevereiro o seu voto conta!! Não fique em casa!!!
Vá votar!!!
Vá votar SIM !!!






Manuel Bancaleiro

11/01/2007

PARA ONDE CAMINHAMOS??!!!

Sabia que
As cúpulas dos oito países mais poderosos do mundo (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e a Rússia) constituíram o chamado clube dos G8, que de uma forma arrogante e numa clara afronta à ONU e ao sistema regulador da ordem mundial, que é a Carta da Nações Unidas, auto-proclamaram-se o comité director do mundo. Ou seja os donos do nosso planeta.
A população total dos países que compõem este grupo representa apenas, cerca de 1/6 da população mundial.
A Carta das Nações Unidas, apesar de todas as violações e atropelos a que tem estado sujeita, prime pelo princípio da justiça, do direito internacional, da igualdade e da soberania das nações.

O G8 consubstancia em si próprio, a fase suprema da Sociedade Capitalista, ou seja, a cartelização criminosa do imperialismo monopolista; a muito falada Globalização Mundial, que mais não é do que a brutal força do Capital sem rosto.
Quando os nossos governantes nos vêm falar, nas Leis do Mercado… e que toda a nossa vida económica, social e política deve ser regulada por essas mesmas leis…, mais não é do que o domínio total e absoluto do primado da globalização neo-liberal, ou seja o ideal do G8 levado à prática.


Ideal este, que impõe a desregulamentação universal do trabalho; que não exita, em proceder às movimentações de empresas, deslocando-as para regiões do globo onde não existem leis laborais, onde a exploração infantil atinge percentagens vergonhosas, provocando aí e nos países iniciais um elevadíssimo número de mão-de-obra sobressalente, obrigando os trabalhadores a abdicarem de muitos dos seus direitos e a aceitarem a redução dos seus salários ; ideal esse, que impõe o controlo do comércio e dos capitais, colocando as economias mais débeis à mercê dos interesses dos grandes grupos económicos representados pelo G8.

O que estou aqui a questionar, não é a nova ordem da internacionalização da economia, baseada no respeito, na cooperação, no desenvolvimento e na autodeterminação dos povos. O que deve ser questionado e veemente combatida é, esta globalização neo-liberal que o G8 quer impor ao mundo, sustentada em politicas anti-democráticas, desumanas e profundamente atentadoras da evolução civilizacional.

Este neo-liberalismo global perdeu todo o respeito sobre o ser humano e pela sua auto-determinação, enquanto povos independentes e soberanos… bíbliaficou a Lei do Mercado como uma espécie de "lei natural" a ser seguida por toda humanidade.
Isto, está indubitavelmente expresso no texto do Acordo Multilateral sobre o Investimento (AMI). O AMI, era, se tivesse ido por diante, o mais cruel instrumento da cartelização do imperialismo monopolista, para subjugar os povos, sobretudo os subdesenvolvidos.
Este acordo, foi a tentativa para o maior tratado económico-político-jurídico da história da humanidade. Colocava os Governos nacionais de mãos atadas, criando uma espécie de "imunidade às empresas multinacionais" nos seus investimentos por todo o planeta.
As negociações para a ratificação deste acordo teve o patrocínio da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e foram feitas às escondidas, de uma forma quase clandestina, prevendo enormes contestações populares ao nível mundial… o que, felizmente veio a acontecer.

O texto do Acordo contrariava tudo o que se conhece sobre Direito Internacional.
O AMI acabava com qualquer risco de prejuízo para as empresas multinacionais, não haveria politica social ou ambiental que, causando perda de obtenção de maiores lucros, não desse logo lugar à respectiva indemnização por parte do país onde a multinacional estivesse instalada. Tudo o que fossem perturbações sociais ( greves ) que causassem prejuízos, teriam de ser imediatamente ressarcidas ao investidor, por parte do estado, ou seja do contribuinte.
O Acordo determinava a desregulamentação total do Estado: nenhuma lei poderia restringir a livre actuação da empresa estrangeira. As multinacionais não precisariam seguir as regras salariais e as Leis Laborais do país em que estivessem investindo. Os Estados nacionais também não poderiam adoptar políticas específicas de desenvolvimento dentro de seu país, sob o argumento de estar "interferindo na livre determinação das forças de mercado…
O AMI era para as multinacionais uma espécie de carta generosa de direitos e regalias sem que houvesse a contrapartida de qualquer dever.

As negociações do Acordo Multilateral sobre o Investimento na OCDE felizmente fracassaram.

Graças à pressão internacional dos movimentos de cidadania, o AMI não pôde ser assinado. Nunca tantos esforços foram empreendidos pela sociedade civil por forma a impedir os governos de ceder diante das forças monopolistas.
Foi graças a um enorme movimento de cidadania universal que se conseguiu desmascarar a intenção do grande capital, o que fez com que o AMI tivesse que recuar.
O combate valeu a pena, pela primeira vez, um tratado de comércio pensado para dar lucro unicamente às empresas transnacionais foi derrotado
.

A retirada da França das negociações, devido às fortes pressões internas, levou a que fossem suspensas as discussões do AMI na OCDE, em 3 de Dezembro de 1998.

Mas o caso infelizmente não está encerrado.

Os governos dos países que compõem a União Europeia estão manietados aos grandes interesses da cartelização monopolista global e já estão a trabalhar para a transferência das negociações para a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Estranha manobra, pois a OCDE tinha sido escolhida em 1995 como “fórum de negociação” do AMI, justamente porque os países do Terceiro Mundo não tinham aceite essa discussão dentro do GATT (o Acordo Geral sobre Tarifas Alfandegárias e Comércio que posteriormente se transformou na OMC).

O AMI, agora encapotado sob o disfarce da OMC quer transformar-se num governo mundial do investimento, ou seja, num governo sem votos nem legitimidade, onde não haja lugar a políticas sociais, culturais ou ambientais, será um governo sem rosto, cujo único objectivo, será o lucro desmesurado das grandes multinacionais.

A concretizar-se este objectivo do capital, será a barbárie no novo milénio. É o hipotecar de todo o património histórico civilizacional da humanidade. Serão os valores culturais, de cidadania e da democracia que irão ser banidos da nossa vida em sociedade.

Sabe qual foi a posição que o governo português tomou quanto ao Acordo Multilateral sobre o Investimento??? Por favor não seja passivo(a), procure informar-se??!!!

Obs.:
(Ao tempo dos factos o governo português era presidido pelo Sr. Engenheiro António Guterres)







Manuel Bancaleiro

30/12/2006

BREVES


Sabia que…

Segundo o último Relatório do Desenvolvimento Humano…

- Mais de 1,2 biliões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia...

- Que quase três biliões de seres Humanos não têm acesso ao saneamento adequado e à água potável...

- Que a diferença entre os ricos e o pobres, ao contrário do compromisso assumido pelas grandes potências económicas, não só não diminuiu, como se acentuou ainda mais...

Para melhor se poder ter uma ideia da concentração da riqueza veja-se a evolução entre o país mais rico e o país mais pobre, que :
- Em 1950 … era de 35 para 1;
- Em 1990 … era de 72 para 1;
- Em 2005 … era de 83 para 1.

Sabia que …

Em 1997, na cidade de Kyoto no Japão se realizou uma conferência sobre Alterações Climatérias, cujo tema principal em discussão era o aquecimento global da Terra, por efeito da aceleração na emissão de certos gases, principalmente o dióxido de carbono ( CO2 ), o metano ( CH4) e o óxido nítrico ( N20).

Essa conferência ficou para a história com o nome de “PROTOCOLO DE KYOTO”.

Diz-se que foi um acordo histórico, porque pela primeira vez na história das nações, um acordo internacional foi subscrito por 159 países.

Sabia que…

Os EUA não o assinaram.

A população dos EUA é apenas 4% da população mundial. E os EUA são responsáveis pela emissão de 25% de todos gases que provocam o efeito de estufa no Planeta...

Manuel Bancaleiro

03/12/2006

PENSAMENTO

(...) não devemos cair nas ladainhas das lamúrias, dizendo que, no mundo, muitas vezes ou quase sempre, os bons e piedosos são infelizes, ao contrário dos maus e perversos. Por felicidade entendem-se coisas bem diversas, como fortuna, honra mundana e coisas semelhantes. Mas quando se trata de um fim em si e por si, o que se chama ventura ou infortúnio deste ou daquele indivíduo particular não pode ser tomado como momento da ordem racional do universo. Aqui não é o interesse nem a paixão individual que exigem satisfação, mas a razão, o direito, a liberdade.
Hegel in "História da Filosofia "

Manuel Bancaleiro

25/11/2006

MANIPULAÇÃO POLITICA E SOCIAL DOS CIDADÃOS

«Para manipular eficazmente as pessoas é necessário fazer-lhes crer que ninguém as manipula»
Galbraith


Na manipulação politica e social da opinião pública, nada é feito por mero acaso. Tudo é analisado e estudado ao pormenor através de métodos, de estratégias, e de técnicas científicas da manipulação.
A Geopolítica, é uma cadeira que é ministrada em Ciências Humanas. Esta disciplina consiste no estudo e na analise simultânea da Teoria Politica e da Geografia...é como que, uma mistura dessas duas ciências… ela foi desenvolvida no inicio de séc. XX pelo cientista e político Rudolf Kjellén.
O objectivo inicial desta ciência prendia-se mais com a pesquisa, com o estudo da História Mundial e evolução dos Povos, mas devido aos acontecimentos que levaram à 2ª Grande Guerra, mais precisamente, ao seu desfecho, que teve como consequência imediata, as profundas e antagónicas transformações, tanto do ponto de vista social, como do ponto de vista económico, como ainda do ponto de vista político ao nível da Ordem Mundial… levaram a que esta ciência rapidamente se transforma-se na ciência do estudo da estratégia da manipulação, da acção e da coacção.
A Geopolítica passou a estudar e analisar o Estado, sobre duas vertentes - Estado enquanto organismo geográfico e o Estado sob a forma como aí é exercido o poder politico e económico…
Isto é apenas uma pequena introdução, para sabermos do que estamos a falar e de como as coisas se processam…
* * * * *
Capítulo I
Durante o período do Estado Novo em Portugal, foi exercida de uma forma brutal até quase ao limite, a coacção e a manipulação politica da opinião pública e da sociedade, sob o ponto de vista mais amplo da geopolítica, digo mais amplo, porque vivíamos no regime politico mais retrógrado de toda a Europa e éramos o último dos últimos países colonizadores … houve até quem escrevesse na altura, que este povo que dera novos mundos ao mundo, tinha perdido a alma… infelizmente era bem verdade, brutalizaram-no, privaram-no do conhecimento, escravizaram-no sob o ponto de vista intelectual, esvaziaram-lhe a mente para mais fácil o poderem manipular.

Isso foi no passado!!!... E hoje, como é??

* * * * *

Capítulo II

Trinta e tal anos depois deste Povo ter posto fim a um regime ditatorial, ter libertado outros povos do jugo colonialista, ter conseguido conquistar a sua própria liberdade e auto-determinação, será que as estratégias e as técnicas para a manipulação da opinião pública e da sociedade, deixaram de existir??
Recordemos um pouco sobre o que foi o comportamento dos Partidos Políticos, logo a seguir à revolução de 1974… quase todos, nomeadamente os do bloco central, utilizavam o mesmo tipo de linguagem, de apelo sistemático às massas, para que o Poder não fosse exercido na rua… agitando velhos fantasmas do Leste Europeu, onde se davam injecções atrás da orelha aos velhinhos e se comiam crianças ao pequeno-almoço (parece surrealista, mas isto foi pregado aos sete ventos por alguns partidos políticos e pela igreja católica) …o que aconteceu de facto, foi que aos partidos políticos representantes das classes dominantes, faltou-lhes momentaneamente a capacidade de manipular a opinião pública…daí o motivo de todos esses receios e fantasmas…
Quanto ao Leste Europeu o que se veio a verificar posteriormente com a chegada da imigração daquela região do globo, foi não a vinda de fantasmas ou de pessoas atrofiadas, mas sim a chegada de pessoas intelectualmente bastante evoluídas e de mão-de-obra altamente qualificada. Tire as suas conclusões!!...

Façamos ainda mais um pequeno exercício de memória sobre o comportamento de certos partidos políticos e de alguns dos seus dirigentes, que bem conhecidos são na nossa praça. Esses partidos e esses políticos têm enormes responsabilidades e são os principais culpados da situação de profunda miséria em que voltaram a pôr de novo o povo português.
Veja-se o comportamento do Partido Socialista nas últimas três décadas. É um partido que se auto-intitula como o único Partido da esquerda moderna democrática, paladino do pluralismo neo-liberal… o que o torna em tudo idêntico a um qualquer partido de direita ( digo eu ) .

Basta ver quem é o Sr. Dr. Mário Soares…um neo-liberal burguês que tudo quis, menos o pluralismo…vejam-se os seus discursos, desde o 25 de Abril e o seu comportamento em relação às classes mais desfavorecidas.
Será que Mário Soares queria uma sociedade sem classes como por diversas vezes o afirmou??
Quem eram de facto os seus adversários políticos?? A Esquerda ou a Direita?? Leia-se o seu discurso na Alameda D. Afonso Henriques em 19 de Julho de 1975 (
http://www.arqnet.pt/portal/discursos/julho02.html ) e obteremos as respostas a estas perguntas.
Se Mário Soares é um homem de esquerda, então porque se apoiou nos homens da CIA e nos EUA, em vez de procurar apoios nos países da Europa democrática??
Se era o pluralismo politico que queria, porque possibilitou e deu cobertura à implantação da bipolarização em Portugal, impossibilitando dessa forma a possibilidade de alternativas politicas ao poder democrático em vez das actuais catastróficas alternâncias politicas?!!...

Com este tipo de pluralismo levado à prática pelos Governos do PPD/PSD e do PS o que aconteceu aos meios de comunicação social?!!



CONSTITUIÇÃO

DA REPÚBLICA PORTUGUESA
PARTE I

Direitos e deveres fundamentais
TÍTULO I

Princípios gerais
Artigo 39.º

(Regulação da comunicação social)

1. …
a) O direito à informação e a liberdade de imprensa;

b) A não concentração da titularidade dos meios de comunicação social;

c) A independência perante o poder político e o poder económico;

d) O respeito pelos direitos, liberdades e garantias pessoais;

e) O respeito pelas normas reguladoras das actividades de comunicação social;…

Os grandes grupos empresariais apoderaram-se e controlam hoje a quase totalidade dos meios de comunicação social ( toda a imprensa escrita - diários, semanários, revistas - rádio , televisão, agências noticiosas, editoras de livros, serviços de transmissão, etc. etc,…) de norte a sul do país.
«A manipulação e a utilização sectária da informação deformam a opinião pública e anulam o controle das capacidade do cidadão para decidir livre e responsavelmente. Se a informação e a propaganda são armas de enorme eficácia nas mãos dos regimes totalitários, também não deixam de o ser nos sistemas democráticos; quem domina a informação, domina de certa forma a cultura, a ideologia e a politica, controla em grande medida a sociedade.»
A Constituição da Republica estará neste campo a ser cumprida?

O que está a acontecer com os diversos regimes de segurança social é bem elucidativo da manipulação política e social da opinião pública.
Quando nos vem afirmar, de forma profundamente demagógica , que este sistema de protecção social está obsoleto, desenquadrado da realidade social e completamente falido, estão propositadamente a mentir e a manipular-nos.
O futuro do sistema de protecção social só encontrará resposta neste conceito de Estado Social, não há outro, e está longe de ser obsoleto ou desenquadrado da realidade social. Podem existir provisões para que daqui a curto ou médio prazo possa vir a ter falta de liquidez, mas sob esse prisma não podem ser imputadas responsabilidades ao Estado Social. O Problema foi e é exclusivamente político.
Com que necessidade os governantes portugueses pós 25 de Abril ( e eles têm nome ) entregaram de mão beijada sectores fundamentais da economia portuguesa ao mundo capitalista? Tais como as cimenteiras, as petrolíferas e as energias eléctricas. Porquê? Quantos milhões de euros tiveram essas empresas de lucro em 2005? Se elas fossem do Estado uma parte desse lucro poderia ser canalizado para o estado social … e aí cumprir-se-ia a função a que o Estado Direito está democraticamente obrigado.

* * * * *
Capítulo III


A MANIPULAÇÃO POLITICA E SOCIAL DA OPINIÃO PÚBLICA É EXERCIDA DE DIVERSAS FORMAS E ESTÁ ASSENTE NOS SEGUINTES VECTORES

1º.- Estratégia da diversão


A estratégia da diversão através de programas de televisão, tipo reality shows, futebol, touradas, etc., etc,… e toda uma panóplia contínua de distracções e de informações insignificantes, cujo objectivo é desviar a atenção da opinião pública para os graves problemas sociais e económicos bem como das politicas anti-populares decididas pelos governantes.
É um vector primordial para a manipulação da opinião pública.


2º- Fomenta-se problemas, para depois oferecer soluções

Também denominado "problema-reacção-solução".
Primeiro cria-se uma "situação" com o objectivo a suscitar uma certa reacção da opinião pública, forçando-a a que seja ela própria a exigir a alteração dessas medidas.

Exemplo:

  • Possibilita-se o desenvolvimento de cenários de violência urbana, por forma a que seja a própria população e exigir medidas mais duras para o combate à violência em detrimento da sua própria liberdade;
  • Cria-se uma crise económica, nem que seja virtual, por forma a aumentar a taxa de desemprego e de ansiedade nos trabalhadores, por forma a que sejam eles próprios a aceitar como mal menor a redução dos seus direito laborais e sociais…etc., etc.,…


3º.- A estratégia da atenuação

Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos.

Exemplo:

  • Foi deste modo, que este governo de maioria socialista impôs a certos sectores da administração pública a alteração do seu vinculo contratual que mantinham à longos anos com o Estado .
  • Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicados brutalmente.


4º.- A estratégia do diferimento


A estratégia do diferimento é a forma de fazer aceitar por parte da opinião pública, uma decisão impopular , bastando para tal apresentá-la como dolorosa mas necessária.Exemplo: A alteração ao cálculo para o tempo da pensão de reforma e o valor dessas mesmas pensões, foi apresentado como um facto imprescindível e inadiável por forma a salvar a segurança social…. para quem muito pouco possui , mais vale um pouco menos do que nada… o que levou a que as pessoas irão ter pensões de miséria, aceitassem de forma resignada essas alterações…

É URGENTE MUDAR ! ! !

ALTERNATIVAS EXISTEM ! ! !


SOMOS UM POVO SÁBIO QUE PERCEBE QUE CHEGOU A HORA DE QUEBRAR COM O CONFORMISMO E COM AS ROTINAS POLITICAS... ! ! !


NOMEADAMENTE A ROTINA CONSERVADORA DO VOTO ! ! !





Manuel Bancaleiro

28/10/2006

ABORTO - REFERENDO DESNECESSÁRIO


Aos homens e mulheres do meu País que vêem o aborto clandestino como um flagelo, como um drama social, como um problema de saúde pública e que, sentem uma enorme frustração e revolta com a falta de coragem politica deste Governo ao não aceitar que a Assembleia da Republica fizesse aquilo que lhe competia: Legislar …
Todos os cidadãos deste País, têm agora a oportunidade de transformar essa revolta, num enorme movimento de solidariedade para com a Mulher Portuguesa, indo no dia do Referendo votar SIM pela despenalização da IVG, indo votar SIM pelo fim da humilhação e do vexame a que a Mulher nunca por nunca, deveria ter sido subjugada.



Quero aqui, através deste Blog expressar um agradecimento muito especial à Drª. Maria Odete dos Santos, pela mulher lutadora e incansável que é , pela forma determinada, integra e cativante com que se entrega às grandes causas, neste palco da vida; pela mulher bonita que é; aliás, como bonitas são todas as mulheres lutadoras …
A si Drª., muito em particular, e a todas as mulheres em geral deixo este pensamento:

"A revolta nasce do espetáculo da desrazão diante de uma condição injusta e incompreensível".
Albert Camus

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Esta é a pergunta, com que os portugueses e as portuguesas se vão deparar durante o primeiro trimestre de 2007 no novo referendo à despenalização Interrupção Voluntária da Gravidez.

Oito anos, após o último referendo não vinculativo sobre este drama, faz todo o sentido perguntar :

O que mudou??

Para onde foram todas as promessas feitas pelos partidos de direita ( PSD e CDS ) e pelo próprio PS, às mulheres deste País??

O que aconteceu durante estes oito anos??

Mudar, não mudou rigorosamente nada.
Durante este período, foram praticados em Portugal cerca de 300 mil abortos clandestinos, tendo como consequência dramática o internamento nos Serviços de Urgência de cerca de oito mil mulheres, infelizmente muitas delas não conseguiram resistir, deixaram centenas de famílias completamente destruídas e alguns milhares de crianças órfãos de mãe. Tudo se manteve como antes…nada foi alterado. As famílias com algumas posses financeiras recorreram à interrupção voluntária da gravidez em clínicas no estrangeiro enquanto que as largas centenas de milhares de famílias carenciadas tiveram que recorrer à prática clandestina. Daí dizer-se que até neste drama enorme para qualquer mulher, há elitismos e discriminação…quem tem posses recorre à interrupção voluntária da gravidez…quem não tem faz desmanchos…
Quanto às promessas feitas, elas deixaram de existir logo no dia seguinte ao referendo.
Onde estão as consultas sobre o planeamento familiar?
Onde está o apoio aos milhares famílias carenciadas, que tão propagandeado foi a quando da campanha do referendo?
O que aconteceu durante estes últimos oito anos após o referendo foi de uma brutalidade inexplicável sobre as mulheres portuguesas. Recordemos os sucessivos julgamentos de mulheres pela prática de aborto, realizados nos Tribunais da Maia, Aveiro, Setúbal, Lisboa ou Coimbra. Onde se pôde constatar a mais revoltante devassa da privacidade das mulheres.
Mulheres que foram investigadas pelos órgãos de polícia criminal... mulheres que foram inquiridas sobre a sua vida mais íntima, sobre as suas mais dramáticas decisões...mulheres que foram sujeitas a exames que violam a sua privacidade... mulheres que foram obrigadas a sentarem-se no banco dos acusados, por força de uma legislação retrógrada e reaccionária... mulheres que foram “coagidas” a aceitar medidas de injunção e regras de boa conduta impondo-lhes assim uma nova humilhação à humilhação do aborto clandestino.


Perante toda esta brutalidade, o governo de maioria absoluta do Partido Socialista teve um comportamento comum aos partidos de direita e de extrema direita, ao não aceitar que a Assembleia da Republica legisla-se sobre este tema, refugiando-se num novo referendo.
É um erro politico, que poderá sair muito caro às mulheres em particular e às famílias portuguesas em geral.


Três razões porque o aborto, em meu entender, não deveria ser referendado:
1ª. - Porque o aborto é um problema de saúde pública, é um problema profundamente social, é um problema de política legislativa, e não um problema de consciência, como alguns sectores mais retrógrados da nossa sociedade querem fazer crer.
2ª. - Porque referendar o aborto é arrogarmo-nos no direito de invadir a privacidade das famílias, de expor a intimidade da mulher na praça pública e inferiorizá-la enquanto ser humano racional, não como complemento de algo, mas como parte integrante da espécie humana. Referendar é pôr em causa a sua capacidade para tomar decisões em relação à sua saúde reprodutiva e/ou ao equilíbrio da estrutura familiar onde está inserida.
3ª. - Porque devido às politicas de extrema-direita levadas a efeito por este governo do Partido Socialista sobre todas as vertentes sociais, económicas e politicas da nossa sociedade e que tem vindo, ao longo desta legislatura a lapidar de forma sistemática todas as conquistas alcançadas através de décadas e décadas de luta do nosso Povo, pode vir a tornar-se numa faca de dois gumes. Isto é, este referendo devido ao enorme e crescente descontentamento social, pode transformar-se numa autêntica moção de censura popular às políticas deste governo penalizando-o através da ausência de ida às urnas, ou através do voto de contestação, tornando-o assim, em mais um fiasco à legalização da IVG .

Em 19 de Outubro de 2006, houve um debate sobre este tema na Assembleia da Republica, infelizmente os órgãos de comunicação social, como já vem sendo prática comum, não deram qualquer realce a uma grande parte das intervenções feitas no hemiciclo, como aliás, já o haviam feito em relação à grandiosa manifestação recentemente realizada em Lisboa.
Que estranho conceito de liberdade de informação existe neste país!!!...

Deixo-vos aqui, em minha opinião, uma das mais importantes intervenções que ocorreram durante esse debate, sobre a interrupção voluntária da gravidez, feita por uma senhora deputada que em primeiro lugar é uma grande mulher que sempre tem sabido estar na primeira linha das grandes causas pela igualdade política, social e económica das mulheres.

Quinta- Feira , 19 de Outubro de 2006
Debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez
Deputada : Odete Santos
Senhor Presidente
Senhores Deputados
Tanto quanto foi possível, aos antropólogos, remontar no tempo, sempre se registou em todas as sociedades, desde as mais primitivas às actuais, a prática da IVG.
Os retrocessos e os progressos na forma como as sociedades têm encarado a prática do aborto, estão indissoluvelmente ligados aos retrocessos e aos progressos da condição feminina.
Hoje está definitivamente assente que o problema do aborto tem de ser encarado como um problema de saúde pública e ainda como uma questão interligada com direitos fundamentais da Mulher e com a política criminal.Veja-se nomeadamente, o relatório da Organização Mundial de Saúde sobre a situação do aborto no mundo, publicado no ano de 2004.
A luta das mulheres pelo direito ao domínio da sua sexualidade, pelo controle dos nascimentos, é uma luta secular que tem passado por perseguições penais que se prolongam no nosso país até aos dias de hoje.
Trata-se de uma luta de séculos porque de séculos é a luta pela igualdade, a luta pela dignidade do sexo feminino, a luta pela afirmação de que a mulher é um ser humano racional, parte integrante da espécie humana, e como tal dotada de capacidade para tomar decisões responsáveis em relação à sua saúde reprodutiva.
O que sempre se quis disfarçar e mesmo esconder por debaixo da violência do aborto clandestino, foi o preconceito contra a mulher. Por isso é que o argumento da protecção da vida humana intra-uterina é um argumento de violenta hipocrisia. Porque se sabe, de um saber de séculos, que não se protege o embrião nem o feto com a criminalização da mulher. Não restando na argumentação procriminalização a não ser esse tal preconceito anti feminino.
Se a Mulher tem o domínio da vida, abrindo as portas ao Conhecimento (e não é por acaso que na Idade Média já o fruto Maçã tinha esse símbolo, significando Conhecimento) então houve que reduzi-la a um útero. Tota muliere in útero, segundo S. Tomás de Aquino, ou, segundo Bonaparte, “A mulher não é senão um ventre”. Como muito bem o refere Simone de Beauvoir no “Segundo Sexo.”
E foi por isso que se encarceraram mulheres como Margaret Sanguer e Mary Stoppes, apenas por divulgarem o planeamento familiar e o controle dos nascimentos.
É por isso que se cerceia às mulheres o direito de opção. É por isso que o Estado se arroga o direito a invadir a sua privacidade expondo a sua intimidade na barra do Tribunal e na praça pública. É por isso, porque persiste o preconceito de que a mulher não é capaz de tomar decisões responsáveis, que se age como se o Estado fosse dono da sua fecundidade. É mesmo por isso que se devassa a privacidade das mulheres em processos referendários, para perguntar aos outros, se as mulheres têm capacidade para tomar decisões, se as mulheres têm direito à saúde reprodutiva. Para perguntar aos outros se o Estado em nome de metafísicas concepções de uma parte apenas da sociedade, deve invadir a privacidade dos quartos de dormir, e ordenar às mulheres que tenham filhos não desejados nem planeados, contra o seu direito à maternidade consciente.
Depois de tantos séculos de luta, depois dos extraordinários avanços da década de 60, depois das várias Conferências Internacionais das Nações Unidas sobre a mulher nomeadamente depois da Conferência de Beijing que apelou ao fim da perseguição penal das mulheres que abortassem e que denunciou as graves consequências do aborto inseguro, em Portugal por força da maioria absoluta do PS, ainda se convoca a Praça Pública para perguntar se a mulher que aborta é ou não uma criminosa. Para perguntar se as mulheres portuguesas devem ou não (as mais afortunadas) dirigir-se ao estrangeiro, para interromper a gravidez em segurança. E se as outras, as pobres, que são muitas nos dois milhões de pobres, ou as que estão um pouco acima do limiar de pobreza, que são muitas, têm de remeter-se às agulhas de tricotar, ao vão de escada, à clandestinidade de uma porta que se abre desconfiadamente, por detrás da qual se sente o sofrimento das mulheres que tomaram decisões difíceis, mas morais, como as decisões assentes na sobrevivência da própria família.
As mulheres perante o Partido Socialista, têm fraco poder negocial. Foram sujeitas a 1 referendo em 1998 depois de estar aprovado, na generalidade, um projecto de lei.
Mulheres sentaram-se entretanto, no banco dos réus e sofreram devassas.
Mulheres foram mesmo compelidas a pagar prestações a instituições escolhidas pelo Tribunal, para expiar a sua culpa de ter exercido o direito de opção, naquele famoso instituto da suspensão provisória do processo que os movimentos criminalizadores defendem para escapar à condenação da opinião pública que não hesita, apontando-os com o dedo.
O direito à saúde reprodutiva pode agora ser sujeito a um novo referendo.
É curiosa de resto, a posição do Partido Socialista nesta matéria.
Pois que relativamente a outra área que se prende com as mesmas questões éticas – a destruição de embriões na clonagem terapêutica para formação das linhas de células estaminais embrionárias – tem, ao que parece, e quanto a nós bem, uma posição completamente oposta: é contra o referendo.
Mas aí já não estão em causa apenas os problemas das mulheres. Aí, para além do interesse da Ciência (que defendemos para bem da humanidade) estão os interesses das multinacionais que investem na investigação científica.
Curiosa também é a pergunta que se reporta ao projecto de lei do Partido Socialista.
Por que foram escolhidas as 10 semanas ?
Não é verdade que a legislação europeia adopte esse prazo. No mínimo, o prazo é de 12 semanas de gravidez, como, aliás o Partido Comunista propõe no seu projecto de lei. Havendo mesmo prazos superiores. E veja-se o dossier que o Senado Francês elaborou quando em 2000 foi discutida a alteração à lei Veil.
Sim, senhores Deputados do Partido Socialista : V. Exªs chegam novamente com atraso. É que, tendo copiado a lei Veil que estabelecia as 10 semanas (aliás sem qualquer justificação científica ou médica) esqueceram-se de estudar o Relatório pedido pelo Governo Francês a Israel Nisand, apresentado em 1999.
Concluindo-se com base no mesmo, que o prazo de 10 semanas era manifestamente insuficiente, pesando, nomeadamente, sobre as mulheres em situação de precariedade e agravando as desigualdades sociais, determinando, para mais que cerca de 5000 mulheres por ano demandassem clínicas estrangeiras, logo o Governo Francês em processo legislativo para que solicitou o regime de urgência, aumentou o prazo para 12 semanas de gravidez na lei de 2001.

Senhor Presidente
Senhores Deputados
Se, contra a nossa opinião, este referendo passa-culpas, for para diante, nós estaremos com as mulheres portuguesas em mais um marco na luta que haveremos de vencer.
Para provar que se trata de um problema de saúde pública, de um problema social, de um problema de política criminal, e não de um problema de consciência para os Deputados.
Deixem os problemas de consciência para as mulheres que têm de decidir, mas não fujam à responsabilidade de legisladores.
Trata-se de um problema de aplicação do artigo 18.º da CR. E não do problema de determinar quando começa a pessoa humana. Porque aí as opiniões dividem-se. E sendo a bioética antidogmática, não há ninguém que possa exigir ao Estado que imponha as crenças de alguns.
Se querem determinar qual o consenso que existe na sociedade, então reparem que nas zonas mais tradicionais, permeáveis ao não, as mulheres fazem desmanchos.
Se, contra a nossa opinião, este referendo passar, estaremos no combate, para provar que as mulheres não são criminosas.
Disse. ”




Manuel Bancaleiro

16/09/2006

11 DE SETEMBRO: Um Atentado??!! Uma Farsa??!!! Ou uma Conspiração??!!


Documentário fantástico, mostrando evidências de que os atentados de 11 de Setembro nos EUA, podem ter sido uma obra interna do próprio governo. Apesar de muitas evidências poderem ser refutadas, no fim desde documentário você perceberá que algo não está correto na história oficial.
Pesquisem por si mesmos e verão que há muito mais a se questionar.

11 DE SETEMBRO: Um Atentado??!! Uma Farsa??!!! Ou uma Conspiração??!!

Nesta fase suprema do desenvolvimento da sociedade Capitalista - a chamada Era da Globalização - os grandes grupos económicos, compostos por pessoas tenebrosas, sem escrúpulos , cheios de poder, à custa da miséria da grande maioria da população mundial; com as mãos cheias de dinheiros sujos e de negócios obscenos, foram-se infiltrando e fizeram eleger, para os altos cargos da Administração Americana e um por todo o resto do mundo desenvolvido, os chamados "testas de ferro" . Engendraram de forma maquiavélica e com a cumplicidade dolosa o 11 de Setembro, por forma a poderem fazerem uso de todo o poderio militar Americano (e internacional) para “protegerem”, expandirem e alargarem os seus negócios… tráficos de armas e de drogas, controlo na produção e comercialização do petróleo, controlo das transacções comerciais internacionais, desregulamentação total das leis laborais nos países desenvolvidos, etc. etc. … tudo isto em nome do combate ao terrorismo....

Deixo-vos um pequeno texto que foi lido numa manifestação de mulheres afegãs que é bem elucidativo sobre o que tenho escrito em relação ao terrorismo e ao terrorismo de estado.

* * * * *

" Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (RAWA)"
24 de fevereiro de 2003

Discurso na manifestação contra a guerra, em Islamabad

O Governo Norte-Americano quer a guerra

O Povo dos Estados Unidos e do resto do Mundo quer a Paz!
" O mundo foi mergulhado mais uma vez num novo pesadelo aterrorizante.
Os Estados Unidos e seus aliados estão querendo destruir o regime de Saddam Hussein e o povo iraquiano - o regime que até ontem era seu aliado e que eles apoiaram na guerra contra o Irão - e impor o seu próprio governo de marionetas ao povo iraquiano e, com isso, repetir a tragédia chocante da Guerra do Golfo à qual Saddam sobreviveu; mas que causou a morte de centenas de milhares de iraquianos inocentes.

Embora a guerra contra o terrorismo e em nome da democracia seja o pretexto para esse ataque, o povo do Afeganistão, pelo menos o povo do Afeganistão, sabe muito bem qual é a natureza oculta dessas declarações e pretextos. O povo iraquiano tem sofrido e sido levado ao limite com os crimes do regime de Saddam, mas isso nunca quis dizer que iria pedir aos Estados Unidos e a seus aliados que o salve com uma intervenção militar.A mudança de governo de todo o país é prerrogativa do povo desse país; caso contrário, o resultado não será estável, nem sustentável a longo prazo. E a prova disso são os governos fantoches imposto pelos EUA e seus aliados em certas regiões do globo.

Todo o mundo pergunta porque é que , os Estados Unidos querem destruir governantes como Saddam Hussein, se foi os mesmos Estados Unidos que impuseram criminosos de guerra e terroristas profissionais, que são piores ainda que Saddam, ao Afeganistão? Se os Estados Unidos consideram Saddam uma ameaça à paz e à segurança daquela região e do mundo e, por esse motivo, pretendem desarmar o Iraque, então por que apoiam Israel, que está equipado com armas atómicas e tem sido o carrasco do povo palestino, do Libano, da Siria e de todos os outros estados soberanos daquela região?

Qual o motivo que leva o governo dos Estados Unidos, sem nenhuma prova ou factos convincentes afirmar que o regime iraquiano tem conexões com a Al Qaeda e não leva a sério essas suspeitas em outros países árabes?
Porque é que o governo dos Estados Unidos, que se auto proclama o defensor da democracia e não dá ouvidos às vozes de milhões de pessoas contra a guerra no mundo inteiro?
As respostas a todas essas perguntas são cristalinas para todos: É
o petróleo do Iraque (a mais importante reserva de petróleo do mundo), o querer exercer o domínio em todo o Médio Oriente , através da ameaça e intimidação estados soberanos e idependentes e finalmente o desejo de superar os seus rivais econónicos , foram estes os unicos motivos que levaram o governo dos Estados Unidos resoluto e determinado a invadir o Iraque.

É preciso termos consciência de que ainda não está claro que países serão atacados depois da ocupação do Iraque.O governo dos Estados Unidos e da Inglaterra têm sido considerados regimes imperialistas e fomentadores de guerras e de terrorismo de estado.Mas o que está claro para o mundo contemporâneo é que as posições e os desejos da maioria dos povos desses países são completamente distintos das dos seus governos.Neste momento, o apelo dos povos contra a guerra e contra a xenofobia é tão forte nos quatro cantos do mundo, que Bush e Tony Blair não podem desprezá-lo ou ignorá-lo. Mas isso não basta. Todos nós temos de nos posicionar contra as guerras preventivas e não permitir que se repita em outra qualquer parte do mundo aquilo que está a acontecer no Iraque.

O povo afegão, que sofreu sob os fogos da guerra dos últimos 25 anos, detesta mais profundamente a guerra que a maioria das outras nações, mas, infelizmente, o Afeganistão não pode misturar as suas vozes de protesto aos milhões de outros protestos contra a guerra no mundo inteiro por causa da dominação da ditadura fundamentalista dentro das suas fronteiras.

A RAWA - (Revolutionary Association of the Women of Afghanistan) congratula-se de, ao menos no Paquistão, através da manifestação de hoje, anunciar a sua solidariedade a todos os movimentos pela paz que emergem em todos os recantos do mundo, e de poder representar e fazer eco à voz sufocada e emudecida de sua nação violentada, ilegalmente ocupada e algemada contra a guerra e contra os fomentadores da guerra , das guerras preventivas e do terrorismo.

ABAIXO O TERRORISMO E A XENOFOBIA!

VIVA A PAZ, A LIBERDADE E A DEMOCRACIA! "

Para aquelas pessoas, que cujo conformismo já há muito as fez baixar os braços, que aceitam de forma resignada todas as atrocidades e violentações e que acham, que tudo isto não passa de conversa de "Queijo Limiano" aconselho-as a ver um pequeno vídeo que acima publico.



Manuel Bancaleiro

09/09/2006

TERRORISMO - O FLAGELO DO MEDO

Capitulo I

Terrorismo. Que fenómeno é esse, que a todos amedronta??!!Que faz com tenhamos que alterar os nossos hábitos de vida, os nossos comportamentos sociais e nos obriga, a desenvolver em nós, de forma inconsciente, comportamentos xenófobos e raciais.

Durante a última década a humanidade foi estupidamente manipulada com a questão sempre repugnante do terrorismo com o objectivo único de fazer prevalecer os interesses instalados nos quatro cantos do mundo da super-potência mundial, auto-intitulada polícia do mundo: os Estados Unidos da América. Isto não é anti-americanismo. São factos.Mas, para que melhor possamos compreender este fenómeno, é de todo importante ter alguns conhecimentos sociológicos referentes à forma como a humanidade evoluiu ao longo dos tempos, sobre o ponto de vista histórico-social.

Se recuarmos nos tempos, fazendo uma breve retrospectiva histórica, podemos verificar que actos de terrorismo estiveram sempre presentes desde o início da nossa civilização:

- Foi assim :

· Nos tempos das invasões do Império Romano, nomeadamente com os imperadores, César Augusto e Júlio César ;

·Com a expansão do Islão no Médio Oriente, no Norte de África e em parte da Europa a partir do século VII, onde foi aí invocado pela primeira vez os princípios da Guerra Santa “ jihad ” , com o objectivo de converter os infiéis à nova ordem religiosa. O Império Bizantino sucumbiu à força do Islão. Entramos na época Otomana, após cerca de quatro séculos de lutas;

·A Idade Média, foi bastante pródiga em actos de terrorismo, praticados pelo fundamentalismo religioso : tanto Cristão como Muçulmano. Imperava a intolerância religiosa, levando a cabo os mais repugnantes actos de terrorismo através do poder instituído, quer seja, de um Estado Teocrático ou Pseudo-Teocrático ou através da própria ordem religiosa;

.Com as Cruzadas ocorridas durante os Séculos XII e XIII;


·Com a Santa Inquisição e os vergonhosos Actos de Fé;


·Com os sistemas ditatoriais de Benito Mussolini, Adolf Hitler, Josef Estaline, Francisco Franco, António de Oliveira Salazar, Augusto Pinochet, Kim Jong-il e tantos, tantos outros.

CAPITULO II

Para que possamos ter um sentido critico, sobre o que deve ser considerado um acto terrorista e o que de todo, não deve ser considerado, por forma a que não nos deixemos manipular, é importante analisarmos as inúmeras definições sobre TERRORISMO em que muitas dessas definições tem como único objectivo confundir de forma propositada o acto terrorista em si, com as acções de lutas por ideais legítimos de libertação e de independência dos Povos.
Vejamos, em Portugal nos tempos da guerra colonial, os nossos jovens eram educados e militarmente preparados, para combater os “Turras” nas ex-colónias. Pois bem, quem eram esses que o Estado Português chamava de terroristas? Não eram mais nem menos, do que os movimentos populares de libertação, que lutavam pelo fim do colonialismo, pela autodeterminação e pela independência desses povos. ISSO É TERRORISMO?

Ao nível interno, segundo o poder instituído também havia actividade terrorista que tinha que ser ferozmente combatida. Quem eram esses terroristas? ( só alguns exemplos: Francisco Miguel; Edmundo Pedro; José Dias Coelho; Virgílio de Sousa ;Tomás Aquino; Manuel Barbosa dos Reis; Guilherme da Costa Carvalho; Joaquim de Sousa Teixeira; Josué Martins Romão; Sérgio Vilarigues; José Barata Júnior; Catarina Eufémia; Armando Ramos; Aurélio Dias; Alfredo Ruas; Américo Gomes; Manuel Vieira Tomé; Júlio Pinto; Ferreira de Abreu; Alfredo Caldeira; Fernando Alcobia; Sofia Oliveira Ferreira; Georgette Oliveira Ferreira; Bento António Gonçalves; Damásio Martins Pereira; Fernando Óscar Gaspar; António de Jesus Branco ; Humberto Delgado e tantos, tantos outros…

Foi graças a estes “terroristas” que hoje tenho a liberdade de escrever neste Blog. A eles, ficar-lhes-ei eternamente grato.

O mundo ocidental, trata os movimentos revolucionários e de libertação, como movimentos terroristas. Porquê? Porquê comparar a O.L.P. (Organização para a Libertação da Palestina ) com a Al Qaida de Osama Bin Laden . Quem são de facto os terroristas naquela região do globo? Os palestinos a quem foi roubada a Pátria, ou o estado de Israel, que teima fazer tábua rasa das decisões da ONU quanto às regiões ilegalmente por eles ocupadas: a Faixa de Gaza a Cisjordânia , e a Península do Sinai ?

Quem é que de facto naquela região pratica o terrorismo: A Palestina? O Líbano? A Síria?. A Jordânia? Ou Israel?

Faça uma retrospectiva aos acontecimentos recentes no Médio Oriente e obterá a resposta.


CAPITULO III


Infelizmente o terrorismo ganhou uma dimensão inédita neste início de século. Hoje, esse fenómeno deixou de ter fronteiras, credos, questões étnicas ou culturais e passou a ser ponto obrigatório na agenda das relações internacionais entre os Estados. Quais os motivos? Quais as causas que levaram à radicalizarão extremista de certos movimentos e/ou grupos político-religioso de países do terceiro mundo, nomeadamente de religião islâmica ?

Hoje o mundo, ao contrário daquilo que dizem os “fazedores de opinião”, não está mais seguro do que nos tempos da “guerra-fria”. Nesse tempo, existia uma correlação de forças internacionais, entre os dois blocos, em que muito dificilmente as organizações terroristas conseguiam singrar, ( não me estou a referir ao terrorismo de estado – sobre isso escreverei mais adiante ) muito embora, tenha sido durante esse período que decorreu todo o processo de incubação das redes terroristas. Quem era Osama Bin Laden nessa altura? Quem lhes deu a formação técnica militar e os respectivos apoios bélicos e logísticos? Nesse tempo, porque não era considerado um terrorista? Não o era, pelo simples facto de ser um aliado americano. Estranho conceito de terrorismo. O mesmo se pode dizer quanto ao apoio às Brigadas Vermelhas, à ETA ou ao IRA, etc.Hoje, uma das grandes causas que fomenta a aliciam ao recrutamento terrorista é hegemonia politica existente no mundo, é o facto de existir uma única super-potência bélica, que se diz e quer dono do mundo e que não possui grandes tradições democráticas.

Todo o acto terrorista deve ser profundamente condenável, não há terrorismo bom, nem terrorismo mau. Venha ele de onde vier e como vier, é sempre repugnante, porque provoca única e exclusivamente vítimas inocentes.

Todos, temos presente os tristes acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 do World Trade Center (2.829 mortos ); ou os atentados de 11 de Março de 2004 aos comboios em Madrid (192 mortos ).

Vítimas inocentes…apenas vítimas inocentes. É revoltante. É a única face que o terrorismo consegue mostrar.

Porém, esta globalização, esta hegemonia politica e económica mundial, condena à morte, através da fome, em cada minuto que passa, 21 crianças até aos 5 anos. Repito por cada minuto que passa morrem vinte e uma crianças à fome.

E então, fazendo as contas, teremos por cada hora : 1.260 crianças mortas; por cada dia : 30.240 ; por cada mês 907.200; por cada ano : cerca de 10.886.400 .


Quase onze milhões de crianças até aos cinco anos são anualmente condenadas à morte através da fome , por esta globalização, por esta hegemonia mundial.


E isso é o quê?

Não é terrorismo?


A prisão de Guantánamo é o quê?

Os voos secretos da CIA transportando, não se sabe quem, é o quê?


A invasão de um estado soberano com um falso pretexto de possuir arma de destruição maciça, isso é o quê?


Eu respondo : - PURO TERRORISMO!!!


PRESERVAR A MEMÓRIA HISTÓRICA É UM ACTO DE INTELIGÊNCIA, DE LIBERDADE, É A FORMA DE GARANTIR UM FUTURO MAIS JUSTO E MAIS HUMANO.

NÃO TE DEIXES MANIPULAR !!!

Manuel Neves Bancaleiro

04/09/2006

O TERRORISMO

Que fenómeno é esse? Quem o fomenta ? Quem o apoia? Que objectivos move ? Quem lhes dá cobertura politica, financeira e logística ?
É a estas e a outras questões, que me proponho dar-lhes respostas.
Manuel Bancaleiro

24/08/2006

PERDOEM-ME AS PALAVRAS

Em tudo o que li através das inúmeras pesquisas que efectuei e de todos os contactos que tive em debates de opinião sobre a interrupção voluntária da gravidez, posso afirmar sem qualquer sombra de duvida, que ninguém tem mais respeito e amor à vida do que aqueles que defendem a legalização do aborto… e como me situo nesse lado da trincheira, aqui vos deixo este pequeno texto que espelha de forma literária, o meu sentimento em relação à VIDA.

* * * * *


Na vida é impossível parar.
Mesmo quando decidimos não avançar, a vida avança...
e por vezes temos mesmo a impressão que ela corre.
É nesse nosso viver, que encontramos diariamente vários caminhos pela frente...
Para cada situação com que nos deparamos, há sempre várias opções de estradas. É então, nesses momentos que temos que escolher : a mais longa, ou a mais curta, a mais fácil, ou a mais difícil...Somos guiados por vontades, necessidades, sentimentos, emoções...E na verdade, nem sempre sabemos a onde nos conduzirá essa nossa escolha.Por vezes o medo, a dúvida, fazem-nos hesitar , reflectir...Vários caminhos confusos surgem à nossa frente...e a pergunta permanece constantemente no nosso pensamento: Sigo em frente, ou não sigo e... recuo?... mas a vida não tem marcha atrás...
Muitas vezes, optar por seguir um determinado caminho pode implicar ter de deixar para trás pessoas, coisas, factos e histórias muito importantes da nossa vida…
E isso dói. Dói muito. Mas se acharmos que, lá à frente iremos encontrar algo de bom para nós, aí...raramente se hesita...contudo será sempre necessário a cada dia, a cada passo, seguir , assumir e decidir...
Ninguém, ninguém mesmo, pode ser responsável pelas nossas escolhas. Mesmo, quando pedimos a opinião de alguém, a escolha final será sempre nossa...
muitas vezes sofremos porque escolhemos caminhos errados. E sabemos que já não dá para voltar, mas temos a consciência de que sempre teremos a opção de recomeçar... de dirigir os nossos passos para direcções diferentes...e então novas escolhas , novas opções, novas dúvidas e incertezas se nos deparam novamente, com todos os riscos possíveis e incalculáveis...
Amar alguém, por norma nunca é uma escolha, pelo menos ela não é voluntária.
Não temos esse controlo, não podemos negar nem ocultar esse sentimento por muito tempo... mas podemos perceber o quanto isso transforma e altera os nossos comportamentos, as nossas decisões, as nossas relações, as nossas dúvidas sobre todos os aspectos da vida … porém teremos sempre que optar: ou deixamos florir e crescer esse sentimento ou deixamo-lo partir, acreditando que no decorrer da caminhada, outros amores surgirão para conquistar e fazer a diferença neste trajecto.
Esses turbilhões de sentimentos manifestam-se de diferentes formas ao longo das nossas vidas...é assim quando em crianças sentimos o mais puro dos sentimentos : O amor maternal... depois surgem os sofrimentos das paixões pelo oposto...e a seguir o mais maduro e responsável de todos os sentimentos: o amor pelo resurgimento da vida. O Amor Paternal . Mas para aí se chegar, muitas das vezes temos enfrentar dolorosas opções. Quebrar regras e tabus, declarar guerras a falsos moralismos....são os caminhos da vida...as opções de escolhas...
Elas, deverão ser sempre escolhas pessoais.

Nunca vendas a tua liberdade...O importante é não parar
.








Manuel Bancaleiro

26/06/2006

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ ( IVG )


Quando me propus publicar um trabalho sobre a problemática do aborto estava longe de imaginar a dimensão deste drama ao nível nacional e a quantidade enorme de legislação existente ao nível das organizações internacionais. São Diplomas, Convenções, Declarações Universais, Cartas das Nações, Dias Internacionais, Processos e mais Processos de intenção, tudo em nome da igualdade e do respeito pelos mais elementares direitos da mulher enquanto ser humano.
E com que realidade nos deparamos em pleno século XXI?
Mulheres condenadas à morte por apedrejamento... mulheres que são obrigadas a aceitar a poligamia... onde tudo é permito ao homem… mais de 135 milhões de mulheres têm sido sujeitas à mutilação genital , cerca de 2 milhões estão em risco todos os anos de sofrerem essa mutilação (6.000 todos os dias)...mulheres que são comercializadas... mulheres que são tratadas como animais domésticos... mulheres que são obrigadas a entrar nos circuitos do tráfico da carne branca, originando biliões e biliões de euros de lucros aos traficantes.
Muitos desses atentados à dignidade da pessoa humana são praticados na União Europeia , sendo Portugal um dos principais países violadores desses direitos. As mulheres continuam a viver situações de profunda discriminação e desigualdade na sua vida profissional, social e familiar, e a serem penalizadas pelo «delito da maternidade». Em Portugal esta situação chega a atingir níveis de preocupante humilhação, onde muitas mulheres, devido à precaridade do emprego, são forçadas a efectuar declarações intimas junto da entidade empregadora e a sujeitarem-se a processos de controlo de natalidade e de maternidade, violadores das mais elementares regras e direitos da mulher enquanto ser humano, esposa e mãe.
Continuamos, assim, em pleno século XXI ...
Diz-se que o século anterior foi o "século das mulheres"... e continuamos , infelizmente no dia a dia a assistir a este fenómeno vergonhoso, que põe em causa a qualidade de vida e os direitos das mulheres e dos seus filhos. Situação, que nos deveria obrigar a questionar e a reflectir sobre as estratégias e as medidas que têm sido adoptadas pelos poderes instituidos e questionarmo-nos sobre para que tem servido as resmas e resmas de legislação publicada nos mais altos niveis dos organismos internacionais??

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Em Portugal, mais de mil mulheres foram hospitalizadas, em 2003, devido a complicações resultantes de abortos clandestinos. O número estimado de abortos clandestinos em Portugal ronda valores entre os 20 mil e os 40 mil.

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A ilegalização e a repressão do aborto como um crime não impede que recorram ao aborto um número tão elevado de mulheres. O aborto tornou-se hoje num grave problema social, num verdadeiro flagelo.

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Por força da própria ilegalização, não há naturalmente estatísticas sobre numero de abortos realizados. Os números oficiais disponíveis são poucos, desactualizados e parecem-me um tanto ou quanto manipulados, por questões politicas, como é óbvio. Não deixam, porém, de serem significativos. Será desejável que se aprofundem, que se complementem e se desenvolvam para que todos tenhamos consciência da realidade brutal que é este drama social.

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É vergonhoso que os nossos políticos e as forças vivas da sociedade civil não tenham até hoje, analisado de forma séria a relação entre o recurso ao aborto, com os gravíssimos riscos que ele acarreta e um tão elevado número de mulheres que o pratica, bem como a debilidade das condições económicas e sociais existentes e os custos que isso tem para as famílias e para a sociedade.

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Em minha opinião, se houver um novo referendo ao aborto, ele converter-se-á novamente num «Juízo dos Deuses» mediáticos e numa nova abertura da «caça às bruxas». A Igreja Católica e os sectores da sociedade mais reaccionários e conservadores irão ser novamente os responsáveis pelos cruéis recursos mediáticos utilizados nas campanhas contra a despenalização do aborto e destinados a manipular e condicionar a opinião pública.Os argumentos dos movimentos burgueses e reaccionários, os da Igreja e de algumas mentalidades medievais, irão como no passado, invocar conceitos de moralidade, mas como se sabe, a batalha em que se empenharão será uma verdadeira batalha política e não moral.
A moralidade é uma questão pessoal .
A despenalização nunca obrigará nenhuma mulher a abortar, só lhe permitirá fazer escolhas.

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As perseguições, prisões, condenações, os salários de miséria, a completa desprotecção das mulheres na gravidez e no parto, a imerecida indignidade com que a sociedade castiga as mães solteiras e os filhos "ilegítimos", o abandono em que hoje as crianças são votadas e como se não bastassem todos estes dramas, o Estado e a sociedade vêm a seguir condenar prender e ultrajar as mulheres na praça pública por um crime, que cujo único móbil é a miséria social e económica em que muitas famílias estão duplamente condenadas a viver.
A existir crime só pode ser do próprio Estado e desta sociedade assimétrica, onde as desigualdades são cada vez mais acentuadas onde a mulher é cada vez mais tratada como um objecto mercantilista.

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Estima-se que a nível mundial, cerca de 60 milhões de mulheres interrompem, por ano, uma gravidez indesejada. Dessas interrupções mais de metade são ilegais e feitas em condições parcas em segurança. Por ano, morrem 75 mil mulheres ao tentarem provocar o aborto e a cada dia, nos países subdesenvolvidos, sobretudo, 50 mil mulheres tentam a expulsão do feto ingerindo drogas, mezinhas, fazendo massagens violentas no ventre ou introduzindo objectos e ervas no útero.

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Fazer um aborto nunca é uma decisão fácil, mas as mulheres têm vindo a fazê-lo desde há milhares de anos, por mil e uma razões.Sempre que uma sociedade proibiu o aborto, apenas o fez entrar na clandestinidade, onde ele se tornou perigoso, caro e humilhante.
Em Portugal, uma em cada quatro mulheres já fez, pelo menos, um aborto clandestino!
Este é um grave problema de saúde pública, afectando centenas de milhar de mulheres em idade fértil e sexualmente activas.
Constitui mesmo a segunda causa de morte materna. Reconhecemos que o Planeamento Familiar é essencial para diminuir o número de gravidezes indesejadas embora, na prática, não resolva totalmente o problema. Porque nenhum método anticoncepcional é infalível e porque existem lacunas nas acções de Planeamento Familiar. O Aborto não é, não o foi, e nem nunca será, um método contraceptivo ou de planeamento familiar, ele é sim, o ultimo de todos os dramas pelos quais muitas mulheres infelizmente têm de passar….

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Na Europa como É ?
Na Alemanha, o aborto é permitido até ao terceiro mês de gravidez.

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Na Áustria, um dos países mais católico e conservador de toda a União Europeia, o aborto é permitido nos três primeiros meses de gravidez desde 1975 .

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Em Espanha, o aborto foi legalizado em 1985, desde que efectuado dentro das 12 primeiras semanas de gestação, podendo ir até às 22 semanas desde que se presuma que o feto nascerá com graves deficiências físicas ou psíquicas

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Em França, o aborto foi legalizado em 1975. É legal até à décima semana de gravidez
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Em Itália, o aborto foi legalizado em 1978 e é permitido até à décima segunda semana de gravidez .

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Na Holanda, a nova lei sobre o Aborto é de 1981.É de todos os países europeus o país com a lei mais liberal.

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No Reino Unido, o aborto é legal na Inglaterra, Escócia e Países de Gales desde 1967. Nessa altura, a legislação britânica era uma das mais liberais da Europa. Hoje, a maioria dos países europeus adoptaram legislação semelhante.

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Na Suécia, a primeira legislação aceitando o aborto data de 1938. Previa que o aborto fosse legal desde que existissem razões médicas, humanitárias ou eugénicas. A legislação, a vigorar desde 1974, afirma que a decisão até à décima-segunda semana de gravidez é inteiramente da responsabilidade da mulher, por qualquer que seja a razão.

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Na Suiça, o aborto até à décima segunda semana de gravidez deixou de ser criminalizado.
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É em todos os países da Europa de Leste ( à excepção da Polónia) que se verificam as leis mais evoluídas, sobre esta matéria e elas na sua grande maioria datam do início da década 50 .

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Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez é punida com pena de prisão até 3 anos.

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As razões abaixo expressas são em meu entender os motivos que devem levar à alteração da legislação actual em Portugal por forma a permitir despenalização total do aborto praticado até às 12 semanas de gravidez, pondo nas mãos de cada casal ( marido e mulher ) em primeiro lugar e em cada mulher em particular, a decisão de levar ou não uma gravidez até ao fim:

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1. A proibição do aborto mata mulheres e destrói famílias

Proibir o aborto não o elimina. Quando as mulheres sentem que ele é absolutamente necessário, independente de toda a dor e sofrimento fazem-no, mesmo em segredo e sem cuidados médicos.

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2. O aborto legal protege a saúde da mulher

O aborto legal não protege apenas a vida das mulheres, protege também a sua saúde. Um aborto mal feito pode ter severas consequências, p. ex. a esterilidade da mulher.

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3. Uma Mulher é um ser humano no amplo sentido da palavra. Não é ética, nem moralmente, nem cientificamente correto equiparar um ser humano a um embrião.
As franjas mais retrógadas e reaccionárias da nossa sociedade, tudo têm feito para tentar passar para a opinião pública a ideia, através de falsos moralismos, de que um feto é por si só um ser "humano" semelhante a todos nós, utilizando para o efeito a mais baixa argumentação, na tentativa de fazer constar em termos legislativos a definição de que um embrião, ou até mesmo um óvulo, seja equiparado e uma pessoa, com direitos e protecções, imagine-se, superiores aos da própria mulher - Como se uma mulher não fosse um ser humano; que pensa; que sente; que possui sentimentos e inteligência - Este é um comportamento demasiado ignóbil e absurdo, para que possamos ficar calados.
Um óvulo fecundado, ou seja, um embrião com dez a doze semanas de gestação não é mais nem menos do que de um potencial ser “humano” no futuro, mas não passa disso, de facto ele ainda não existe como tal. Porque se assim fosse e, continuando na perspectiva do absurdo e da estupidez, poder-se-á afirmar que o ciclo menstrual da mulher é por si só um atentado à vida humana, visto que com a perda desse óvulo, perder-se-á a criação de um potencial ser humano. E já agora, esses movimentos recém criados pró-vida, deveriam propor também legislação, no sentido de proibir a masturbação masculina pelos mesmos motivos.
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4. Para uma mulher, ser mãe é um privilégio, mas deve ser também uma opção.

A humanidade ao longo dos séculos travou inumeras batalhas, algumas delas bastante sangrentas, pela igualdade política, social e económica das mulheres. Essas vitórias perderão todo o significado se à mulher não lhes for dada a opção de escolha do planeamento e da decisão reprodutiva .

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5. A proibição do aborto é eleitista e discriminatória
A proibição do aborto é discriminatória em relação às mulheres de baixo nível sócio-económico, que são levadas ao aborto auto-induzido ou clandestino, os chamados abortos de vão de escada. As que têm posses podem sempre viajar para o estrangeiro e aí obter um aborto seguro.

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6. A proibição do aborto aumenta o recurso ao aborto

Muitos abortos poderiam ser evitados se as mulheres pudessem discutir abertamente a sua gravidez. Isto é, se o Serviço Nacional da Saúde funcionasse de acordo com o que está determinado na Constituição da Republica Portuguesa, dando a cada português a oportunidade de ter um “médico de família” para o seu agregado.

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7. O primeiro direito da criança é ser desejado, para poder ser amado
Quando as mulheres são forçadas a levar uma gravidez indesejada até ao fim, o resultado é uma criança indesejada. Todos sabem que elas estão entre os mais trágicos casos sociais, frequentemente abandonadas, violentadas, não-amadas ou brutalizadas.
Quando crescem, estas crianças estão frequentemente em séria desvantagem e, por vezes, em rota de colisão com as normas elementares da vida em sociedade. Uma criança precisa de amor, de uma família que a queira e se preocupe por ela.

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8. A possibilidade de escolha é boa para as famílias
Mesmo quando são tomadas precauções, os acidentes podem acontecer e acontecem. Para algumas famílias isso não é problema. Mas para outras pode ser catastrófico. Uma gravidez indesejada pode aumentar tensões, romper a estabilidade, desfazer famílias e empurrar as pessoas para baixo do limiar de pobreza.

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O aborto não deve ser encarado como método contraceptivo. Produz sofrimento físico e psicológico. Mas a sua proibição produz muito mais sofrimento. O Planeamento Familiar é a resposta. O aborto deve ser a última solução.









Manuel Bancaleiro