16/09/2006

11 DE SETEMBRO: Um Atentado??!! Uma Farsa??!!! Ou uma Conspiração??!!


Documentário fantástico, mostrando evidências de que os atentados de 11 de Setembro nos EUA, podem ter sido uma obra interna do próprio governo. Apesar de muitas evidências poderem ser refutadas, no fim desde documentário você perceberá que algo não está correto na história oficial.
Pesquisem por si mesmos e verão que há muito mais a se questionar.

11 DE SETEMBRO: Um Atentado??!! Uma Farsa??!!! Ou uma Conspiração??!!

Nesta fase suprema do desenvolvimento da sociedade Capitalista - a chamada Era da Globalização - os grandes grupos económicos, compostos por pessoas tenebrosas, sem escrúpulos , cheios de poder, à custa da miséria da grande maioria da população mundial; com as mãos cheias de dinheiros sujos e de negócios obscenos, foram-se infiltrando e fizeram eleger, para os altos cargos da Administração Americana e um por todo o resto do mundo desenvolvido, os chamados "testas de ferro" . Engendraram de forma maquiavélica e com a cumplicidade dolosa o 11 de Setembro, por forma a poderem fazerem uso de todo o poderio militar Americano (e internacional) para “protegerem”, expandirem e alargarem os seus negócios… tráficos de armas e de drogas, controlo na produção e comercialização do petróleo, controlo das transacções comerciais internacionais, desregulamentação total das leis laborais nos países desenvolvidos, etc. etc. … tudo isto em nome do combate ao terrorismo....

Deixo-vos um pequeno texto que foi lido numa manifestação de mulheres afegãs que é bem elucidativo sobre o que tenho escrito em relação ao terrorismo e ao terrorismo de estado.

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" Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (RAWA)"
24 de fevereiro de 2003

Discurso na manifestação contra a guerra, em Islamabad

O Governo Norte-Americano quer a guerra

O Povo dos Estados Unidos e do resto do Mundo quer a Paz!
" O mundo foi mergulhado mais uma vez num novo pesadelo aterrorizante.
Os Estados Unidos e seus aliados estão querendo destruir o regime de Saddam Hussein e o povo iraquiano - o regime que até ontem era seu aliado e que eles apoiaram na guerra contra o Irão - e impor o seu próprio governo de marionetas ao povo iraquiano e, com isso, repetir a tragédia chocante da Guerra do Golfo à qual Saddam sobreviveu; mas que causou a morte de centenas de milhares de iraquianos inocentes.

Embora a guerra contra o terrorismo e em nome da democracia seja o pretexto para esse ataque, o povo do Afeganistão, pelo menos o povo do Afeganistão, sabe muito bem qual é a natureza oculta dessas declarações e pretextos. O povo iraquiano tem sofrido e sido levado ao limite com os crimes do regime de Saddam, mas isso nunca quis dizer que iria pedir aos Estados Unidos e a seus aliados que o salve com uma intervenção militar.A mudança de governo de todo o país é prerrogativa do povo desse país; caso contrário, o resultado não será estável, nem sustentável a longo prazo. E a prova disso são os governos fantoches imposto pelos EUA e seus aliados em certas regiões do globo.

Todo o mundo pergunta porque é que , os Estados Unidos querem destruir governantes como Saddam Hussein, se foi os mesmos Estados Unidos que impuseram criminosos de guerra e terroristas profissionais, que são piores ainda que Saddam, ao Afeganistão? Se os Estados Unidos consideram Saddam uma ameaça à paz e à segurança daquela região e do mundo e, por esse motivo, pretendem desarmar o Iraque, então por que apoiam Israel, que está equipado com armas atómicas e tem sido o carrasco do povo palestino, do Libano, da Siria e de todos os outros estados soberanos daquela região?

Qual o motivo que leva o governo dos Estados Unidos, sem nenhuma prova ou factos convincentes afirmar que o regime iraquiano tem conexões com a Al Qaeda e não leva a sério essas suspeitas em outros países árabes?
Porque é que o governo dos Estados Unidos, que se auto proclama o defensor da democracia e não dá ouvidos às vozes de milhões de pessoas contra a guerra no mundo inteiro?
As respostas a todas essas perguntas são cristalinas para todos: É
o petróleo do Iraque (a mais importante reserva de petróleo do mundo), o querer exercer o domínio em todo o Médio Oriente , através da ameaça e intimidação estados soberanos e idependentes e finalmente o desejo de superar os seus rivais econónicos , foram estes os unicos motivos que levaram o governo dos Estados Unidos resoluto e determinado a invadir o Iraque.

É preciso termos consciência de que ainda não está claro que países serão atacados depois da ocupação do Iraque.O governo dos Estados Unidos e da Inglaterra têm sido considerados regimes imperialistas e fomentadores de guerras e de terrorismo de estado.Mas o que está claro para o mundo contemporâneo é que as posições e os desejos da maioria dos povos desses países são completamente distintos das dos seus governos.Neste momento, o apelo dos povos contra a guerra e contra a xenofobia é tão forte nos quatro cantos do mundo, que Bush e Tony Blair não podem desprezá-lo ou ignorá-lo. Mas isso não basta. Todos nós temos de nos posicionar contra as guerras preventivas e não permitir que se repita em outra qualquer parte do mundo aquilo que está a acontecer no Iraque.

O povo afegão, que sofreu sob os fogos da guerra dos últimos 25 anos, detesta mais profundamente a guerra que a maioria das outras nações, mas, infelizmente, o Afeganistão não pode misturar as suas vozes de protesto aos milhões de outros protestos contra a guerra no mundo inteiro por causa da dominação da ditadura fundamentalista dentro das suas fronteiras.

A RAWA - (Revolutionary Association of the Women of Afghanistan) congratula-se de, ao menos no Paquistão, através da manifestação de hoje, anunciar a sua solidariedade a todos os movimentos pela paz que emergem em todos os recantos do mundo, e de poder representar e fazer eco à voz sufocada e emudecida de sua nação violentada, ilegalmente ocupada e algemada contra a guerra e contra os fomentadores da guerra , das guerras preventivas e do terrorismo.

ABAIXO O TERRORISMO E A XENOFOBIA!

VIVA A PAZ, A LIBERDADE E A DEMOCRACIA! "

Para aquelas pessoas, que cujo conformismo já há muito as fez baixar os braços, que aceitam de forma resignada todas as atrocidades e violentações e que acham, que tudo isto não passa de conversa de "Queijo Limiano" aconselho-as a ver um pequeno vídeo que acima publico.



Manuel Bancaleiro

09/09/2006

TERRORISMO - O FLAGELO DO MEDO

Capitulo I

Terrorismo. Que fenómeno é esse, que a todos amedronta??!!Que faz com tenhamos que alterar os nossos hábitos de vida, os nossos comportamentos sociais e nos obriga, a desenvolver em nós, de forma inconsciente, comportamentos xenófobos e raciais.

Durante a última década a humanidade foi estupidamente manipulada com a questão sempre repugnante do terrorismo com o objectivo único de fazer prevalecer os interesses instalados nos quatro cantos do mundo da super-potência mundial, auto-intitulada polícia do mundo: os Estados Unidos da América. Isto não é anti-americanismo. São factos.Mas, para que melhor possamos compreender este fenómeno, é de todo importante ter alguns conhecimentos sociológicos referentes à forma como a humanidade evoluiu ao longo dos tempos, sobre o ponto de vista histórico-social.

Se recuarmos nos tempos, fazendo uma breve retrospectiva histórica, podemos verificar que actos de terrorismo estiveram sempre presentes desde o início da nossa civilização:

- Foi assim :

· Nos tempos das invasões do Império Romano, nomeadamente com os imperadores, César Augusto e Júlio César ;

·Com a expansão do Islão no Médio Oriente, no Norte de África e em parte da Europa a partir do século VII, onde foi aí invocado pela primeira vez os princípios da Guerra Santa “ jihad ” , com o objectivo de converter os infiéis à nova ordem religiosa. O Império Bizantino sucumbiu à força do Islão. Entramos na época Otomana, após cerca de quatro séculos de lutas;

·A Idade Média, foi bastante pródiga em actos de terrorismo, praticados pelo fundamentalismo religioso : tanto Cristão como Muçulmano. Imperava a intolerância religiosa, levando a cabo os mais repugnantes actos de terrorismo através do poder instituído, quer seja, de um Estado Teocrático ou Pseudo-Teocrático ou através da própria ordem religiosa;

.Com as Cruzadas ocorridas durante os Séculos XII e XIII;


·Com a Santa Inquisição e os vergonhosos Actos de Fé;


·Com os sistemas ditatoriais de Benito Mussolini, Adolf Hitler, Josef Estaline, Francisco Franco, António de Oliveira Salazar, Augusto Pinochet, Kim Jong-il e tantos, tantos outros.

CAPITULO II

Para que possamos ter um sentido critico, sobre o que deve ser considerado um acto terrorista e o que de todo, não deve ser considerado, por forma a que não nos deixemos manipular, é importante analisarmos as inúmeras definições sobre TERRORISMO em que muitas dessas definições tem como único objectivo confundir de forma propositada o acto terrorista em si, com as acções de lutas por ideais legítimos de libertação e de independência dos Povos.
Vejamos, em Portugal nos tempos da guerra colonial, os nossos jovens eram educados e militarmente preparados, para combater os “Turras” nas ex-colónias. Pois bem, quem eram esses que o Estado Português chamava de terroristas? Não eram mais nem menos, do que os movimentos populares de libertação, que lutavam pelo fim do colonialismo, pela autodeterminação e pela independência desses povos. ISSO É TERRORISMO?

Ao nível interno, segundo o poder instituído também havia actividade terrorista que tinha que ser ferozmente combatida. Quem eram esses terroristas? ( só alguns exemplos: Francisco Miguel; Edmundo Pedro; José Dias Coelho; Virgílio de Sousa ;Tomás Aquino; Manuel Barbosa dos Reis; Guilherme da Costa Carvalho; Joaquim de Sousa Teixeira; Josué Martins Romão; Sérgio Vilarigues; José Barata Júnior; Catarina Eufémia; Armando Ramos; Aurélio Dias; Alfredo Ruas; Américo Gomes; Manuel Vieira Tomé; Júlio Pinto; Ferreira de Abreu; Alfredo Caldeira; Fernando Alcobia; Sofia Oliveira Ferreira; Georgette Oliveira Ferreira; Bento António Gonçalves; Damásio Martins Pereira; Fernando Óscar Gaspar; António de Jesus Branco ; Humberto Delgado e tantos, tantos outros…

Foi graças a estes “terroristas” que hoje tenho a liberdade de escrever neste Blog. A eles, ficar-lhes-ei eternamente grato.

O mundo ocidental, trata os movimentos revolucionários e de libertação, como movimentos terroristas. Porquê? Porquê comparar a O.L.P. (Organização para a Libertação da Palestina ) com a Al Qaida de Osama Bin Laden . Quem são de facto os terroristas naquela região do globo? Os palestinos a quem foi roubada a Pátria, ou o estado de Israel, que teima fazer tábua rasa das decisões da ONU quanto às regiões ilegalmente por eles ocupadas: a Faixa de Gaza a Cisjordânia , e a Península do Sinai ?

Quem é que de facto naquela região pratica o terrorismo: A Palestina? O Líbano? A Síria?. A Jordânia? Ou Israel?

Faça uma retrospectiva aos acontecimentos recentes no Médio Oriente e obterá a resposta.


CAPITULO III


Infelizmente o terrorismo ganhou uma dimensão inédita neste início de século. Hoje, esse fenómeno deixou de ter fronteiras, credos, questões étnicas ou culturais e passou a ser ponto obrigatório na agenda das relações internacionais entre os Estados. Quais os motivos? Quais as causas que levaram à radicalizarão extremista de certos movimentos e/ou grupos político-religioso de países do terceiro mundo, nomeadamente de religião islâmica ?

Hoje o mundo, ao contrário daquilo que dizem os “fazedores de opinião”, não está mais seguro do que nos tempos da “guerra-fria”. Nesse tempo, existia uma correlação de forças internacionais, entre os dois blocos, em que muito dificilmente as organizações terroristas conseguiam singrar, ( não me estou a referir ao terrorismo de estado – sobre isso escreverei mais adiante ) muito embora, tenha sido durante esse período que decorreu todo o processo de incubação das redes terroristas. Quem era Osama Bin Laden nessa altura? Quem lhes deu a formação técnica militar e os respectivos apoios bélicos e logísticos? Nesse tempo, porque não era considerado um terrorista? Não o era, pelo simples facto de ser um aliado americano. Estranho conceito de terrorismo. O mesmo se pode dizer quanto ao apoio às Brigadas Vermelhas, à ETA ou ao IRA, etc.Hoje, uma das grandes causas que fomenta a aliciam ao recrutamento terrorista é hegemonia politica existente no mundo, é o facto de existir uma única super-potência bélica, que se diz e quer dono do mundo e que não possui grandes tradições democráticas.

Todo o acto terrorista deve ser profundamente condenável, não há terrorismo bom, nem terrorismo mau. Venha ele de onde vier e como vier, é sempre repugnante, porque provoca única e exclusivamente vítimas inocentes.

Todos, temos presente os tristes acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 do World Trade Center (2.829 mortos ); ou os atentados de 11 de Março de 2004 aos comboios em Madrid (192 mortos ).

Vítimas inocentes…apenas vítimas inocentes. É revoltante. É a única face que o terrorismo consegue mostrar.

Porém, esta globalização, esta hegemonia politica e económica mundial, condena à morte, através da fome, em cada minuto que passa, 21 crianças até aos 5 anos. Repito por cada minuto que passa morrem vinte e uma crianças à fome.

E então, fazendo as contas, teremos por cada hora : 1.260 crianças mortas; por cada dia : 30.240 ; por cada mês 907.200; por cada ano : cerca de 10.886.400 .


Quase onze milhões de crianças até aos cinco anos são anualmente condenadas à morte através da fome , por esta globalização, por esta hegemonia mundial.


E isso é o quê?

Não é terrorismo?


A prisão de Guantánamo é o quê?

Os voos secretos da CIA transportando, não se sabe quem, é o quê?


A invasão de um estado soberano com um falso pretexto de possuir arma de destruição maciça, isso é o quê?


Eu respondo : - PURO TERRORISMO!!!


PRESERVAR A MEMÓRIA HISTÓRICA É UM ACTO DE INTELIGÊNCIA, DE LIBERDADE, É A FORMA DE GARANTIR UM FUTURO MAIS JUSTO E MAIS HUMANO.

NÃO TE DEIXES MANIPULAR !!!

Manuel Neves Bancaleiro

04/09/2006

O TERRORISMO

Que fenómeno é esse? Quem o fomenta ? Quem o apoia? Que objectivos move ? Quem lhes dá cobertura politica, financeira e logística ?
É a estas e a outras questões, que me proponho dar-lhes respostas.
Manuel Bancaleiro

24/08/2006

PERDOEM-ME AS PALAVRAS

Em tudo o que li através das inúmeras pesquisas que efectuei e de todos os contactos que tive em debates de opinião sobre a interrupção voluntária da gravidez, posso afirmar sem qualquer sombra de duvida, que ninguém tem mais respeito e amor à vida do que aqueles que defendem a legalização do aborto… e como me situo nesse lado da trincheira, aqui vos deixo este pequeno texto que espelha de forma literária, o meu sentimento em relação à VIDA.

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Na vida é impossível parar.
Mesmo quando decidimos não avançar, a vida avança...
e por vezes temos mesmo a impressão que ela corre.
É nesse nosso viver, que encontramos diariamente vários caminhos pela frente...
Para cada situação com que nos deparamos, há sempre várias opções de estradas. É então, nesses momentos que temos que escolher : a mais longa, ou a mais curta, a mais fácil, ou a mais difícil...Somos guiados por vontades, necessidades, sentimentos, emoções...E na verdade, nem sempre sabemos a onde nos conduzirá essa nossa escolha.Por vezes o medo, a dúvida, fazem-nos hesitar , reflectir...Vários caminhos confusos surgem à nossa frente...e a pergunta permanece constantemente no nosso pensamento: Sigo em frente, ou não sigo e... recuo?... mas a vida não tem marcha atrás...
Muitas vezes, optar por seguir um determinado caminho pode implicar ter de deixar para trás pessoas, coisas, factos e histórias muito importantes da nossa vida…
E isso dói. Dói muito. Mas se acharmos que, lá à frente iremos encontrar algo de bom para nós, aí...raramente se hesita...contudo será sempre necessário a cada dia, a cada passo, seguir , assumir e decidir...
Ninguém, ninguém mesmo, pode ser responsável pelas nossas escolhas. Mesmo, quando pedimos a opinião de alguém, a escolha final será sempre nossa...
muitas vezes sofremos porque escolhemos caminhos errados. E sabemos que já não dá para voltar, mas temos a consciência de que sempre teremos a opção de recomeçar... de dirigir os nossos passos para direcções diferentes...e então novas escolhas , novas opções, novas dúvidas e incertezas se nos deparam novamente, com todos os riscos possíveis e incalculáveis...
Amar alguém, por norma nunca é uma escolha, pelo menos ela não é voluntária.
Não temos esse controlo, não podemos negar nem ocultar esse sentimento por muito tempo... mas podemos perceber o quanto isso transforma e altera os nossos comportamentos, as nossas decisões, as nossas relações, as nossas dúvidas sobre todos os aspectos da vida … porém teremos sempre que optar: ou deixamos florir e crescer esse sentimento ou deixamo-lo partir, acreditando que no decorrer da caminhada, outros amores surgirão para conquistar e fazer a diferença neste trajecto.
Esses turbilhões de sentimentos manifestam-se de diferentes formas ao longo das nossas vidas...é assim quando em crianças sentimos o mais puro dos sentimentos : O amor maternal... depois surgem os sofrimentos das paixões pelo oposto...e a seguir o mais maduro e responsável de todos os sentimentos: o amor pelo resurgimento da vida. O Amor Paternal . Mas para aí se chegar, muitas das vezes temos enfrentar dolorosas opções. Quebrar regras e tabus, declarar guerras a falsos moralismos....são os caminhos da vida...as opções de escolhas...
Elas, deverão ser sempre escolhas pessoais.

Nunca vendas a tua liberdade...O importante é não parar
.








Manuel Bancaleiro

26/06/2006

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ ( IVG )


Quando me propus publicar um trabalho sobre a problemática do aborto estava longe de imaginar a dimensão deste drama ao nível nacional e a quantidade enorme de legislação existente ao nível das organizações internacionais. São Diplomas, Convenções, Declarações Universais, Cartas das Nações, Dias Internacionais, Processos e mais Processos de intenção, tudo em nome da igualdade e do respeito pelos mais elementares direitos da mulher enquanto ser humano.
E com que realidade nos deparamos em pleno século XXI?
Mulheres condenadas à morte por apedrejamento... mulheres que são obrigadas a aceitar a poligamia... onde tudo é permito ao homem… mais de 135 milhões de mulheres têm sido sujeitas à mutilação genital , cerca de 2 milhões estão em risco todos os anos de sofrerem essa mutilação (6.000 todos os dias)...mulheres que são comercializadas... mulheres que são tratadas como animais domésticos... mulheres que são obrigadas a entrar nos circuitos do tráfico da carne branca, originando biliões e biliões de euros de lucros aos traficantes.
Muitos desses atentados à dignidade da pessoa humana são praticados na União Europeia , sendo Portugal um dos principais países violadores desses direitos. As mulheres continuam a viver situações de profunda discriminação e desigualdade na sua vida profissional, social e familiar, e a serem penalizadas pelo «delito da maternidade». Em Portugal esta situação chega a atingir níveis de preocupante humilhação, onde muitas mulheres, devido à precaridade do emprego, são forçadas a efectuar declarações intimas junto da entidade empregadora e a sujeitarem-se a processos de controlo de natalidade e de maternidade, violadores das mais elementares regras e direitos da mulher enquanto ser humano, esposa e mãe.
Continuamos, assim, em pleno século XXI ...
Diz-se que o século anterior foi o "século das mulheres"... e continuamos , infelizmente no dia a dia a assistir a este fenómeno vergonhoso, que põe em causa a qualidade de vida e os direitos das mulheres e dos seus filhos. Situação, que nos deveria obrigar a questionar e a reflectir sobre as estratégias e as medidas que têm sido adoptadas pelos poderes instituidos e questionarmo-nos sobre para que tem servido as resmas e resmas de legislação publicada nos mais altos niveis dos organismos internacionais??

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Em Portugal, mais de mil mulheres foram hospitalizadas, em 2003, devido a complicações resultantes de abortos clandestinos. O número estimado de abortos clandestinos em Portugal ronda valores entre os 20 mil e os 40 mil.

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A ilegalização e a repressão do aborto como um crime não impede que recorram ao aborto um número tão elevado de mulheres. O aborto tornou-se hoje num grave problema social, num verdadeiro flagelo.

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Por força da própria ilegalização, não há naturalmente estatísticas sobre numero de abortos realizados. Os números oficiais disponíveis são poucos, desactualizados e parecem-me um tanto ou quanto manipulados, por questões politicas, como é óbvio. Não deixam, porém, de serem significativos. Será desejável que se aprofundem, que se complementem e se desenvolvam para que todos tenhamos consciência da realidade brutal que é este drama social.

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É vergonhoso que os nossos políticos e as forças vivas da sociedade civil não tenham até hoje, analisado de forma séria a relação entre o recurso ao aborto, com os gravíssimos riscos que ele acarreta e um tão elevado número de mulheres que o pratica, bem como a debilidade das condições económicas e sociais existentes e os custos que isso tem para as famílias e para a sociedade.

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Em minha opinião, se houver um novo referendo ao aborto, ele converter-se-á novamente num «Juízo dos Deuses» mediáticos e numa nova abertura da «caça às bruxas». A Igreja Católica e os sectores da sociedade mais reaccionários e conservadores irão ser novamente os responsáveis pelos cruéis recursos mediáticos utilizados nas campanhas contra a despenalização do aborto e destinados a manipular e condicionar a opinião pública.Os argumentos dos movimentos burgueses e reaccionários, os da Igreja e de algumas mentalidades medievais, irão como no passado, invocar conceitos de moralidade, mas como se sabe, a batalha em que se empenharão será uma verdadeira batalha política e não moral.
A moralidade é uma questão pessoal .
A despenalização nunca obrigará nenhuma mulher a abortar, só lhe permitirá fazer escolhas.

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As perseguições, prisões, condenações, os salários de miséria, a completa desprotecção das mulheres na gravidez e no parto, a imerecida indignidade com que a sociedade castiga as mães solteiras e os filhos "ilegítimos", o abandono em que hoje as crianças são votadas e como se não bastassem todos estes dramas, o Estado e a sociedade vêm a seguir condenar prender e ultrajar as mulheres na praça pública por um crime, que cujo único móbil é a miséria social e económica em que muitas famílias estão duplamente condenadas a viver.
A existir crime só pode ser do próprio Estado e desta sociedade assimétrica, onde as desigualdades são cada vez mais acentuadas onde a mulher é cada vez mais tratada como um objecto mercantilista.

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Estima-se que a nível mundial, cerca de 60 milhões de mulheres interrompem, por ano, uma gravidez indesejada. Dessas interrupções mais de metade são ilegais e feitas em condições parcas em segurança. Por ano, morrem 75 mil mulheres ao tentarem provocar o aborto e a cada dia, nos países subdesenvolvidos, sobretudo, 50 mil mulheres tentam a expulsão do feto ingerindo drogas, mezinhas, fazendo massagens violentas no ventre ou introduzindo objectos e ervas no útero.

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Fazer um aborto nunca é uma decisão fácil, mas as mulheres têm vindo a fazê-lo desde há milhares de anos, por mil e uma razões.Sempre que uma sociedade proibiu o aborto, apenas o fez entrar na clandestinidade, onde ele se tornou perigoso, caro e humilhante.
Em Portugal, uma em cada quatro mulheres já fez, pelo menos, um aborto clandestino!
Este é um grave problema de saúde pública, afectando centenas de milhar de mulheres em idade fértil e sexualmente activas.
Constitui mesmo a segunda causa de morte materna. Reconhecemos que o Planeamento Familiar é essencial para diminuir o número de gravidezes indesejadas embora, na prática, não resolva totalmente o problema. Porque nenhum método anticoncepcional é infalível e porque existem lacunas nas acções de Planeamento Familiar. O Aborto não é, não o foi, e nem nunca será, um método contraceptivo ou de planeamento familiar, ele é sim, o ultimo de todos os dramas pelos quais muitas mulheres infelizmente têm de passar….

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Na Europa como É ?
Na Alemanha, o aborto é permitido até ao terceiro mês de gravidez.

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Na Áustria, um dos países mais católico e conservador de toda a União Europeia, o aborto é permitido nos três primeiros meses de gravidez desde 1975 .

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Em Espanha, o aborto foi legalizado em 1985, desde que efectuado dentro das 12 primeiras semanas de gestação, podendo ir até às 22 semanas desde que se presuma que o feto nascerá com graves deficiências físicas ou psíquicas

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Em França, o aborto foi legalizado em 1975. É legal até à décima semana de gravidez
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Em Itália, o aborto foi legalizado em 1978 e é permitido até à décima segunda semana de gravidez .

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Na Holanda, a nova lei sobre o Aborto é de 1981.É de todos os países europeus o país com a lei mais liberal.

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No Reino Unido, o aborto é legal na Inglaterra, Escócia e Países de Gales desde 1967. Nessa altura, a legislação britânica era uma das mais liberais da Europa. Hoje, a maioria dos países europeus adoptaram legislação semelhante.

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Na Suécia, a primeira legislação aceitando o aborto data de 1938. Previa que o aborto fosse legal desde que existissem razões médicas, humanitárias ou eugénicas. A legislação, a vigorar desde 1974, afirma que a decisão até à décima-segunda semana de gravidez é inteiramente da responsabilidade da mulher, por qualquer que seja a razão.

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Na Suiça, o aborto até à décima segunda semana de gravidez deixou de ser criminalizado.
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É em todos os países da Europa de Leste ( à excepção da Polónia) que se verificam as leis mais evoluídas, sobre esta matéria e elas na sua grande maioria datam do início da década 50 .

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Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez é punida com pena de prisão até 3 anos.

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As razões abaixo expressas são em meu entender os motivos que devem levar à alteração da legislação actual em Portugal por forma a permitir despenalização total do aborto praticado até às 12 semanas de gravidez, pondo nas mãos de cada casal ( marido e mulher ) em primeiro lugar e em cada mulher em particular, a decisão de levar ou não uma gravidez até ao fim:

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1. A proibição do aborto mata mulheres e destrói famílias

Proibir o aborto não o elimina. Quando as mulheres sentem que ele é absolutamente necessário, independente de toda a dor e sofrimento fazem-no, mesmo em segredo e sem cuidados médicos.

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2. O aborto legal protege a saúde da mulher

O aborto legal não protege apenas a vida das mulheres, protege também a sua saúde. Um aborto mal feito pode ter severas consequências, p. ex. a esterilidade da mulher.

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3. Uma Mulher é um ser humano no amplo sentido da palavra. Não é ética, nem moralmente, nem cientificamente correto equiparar um ser humano a um embrião.
As franjas mais retrógadas e reaccionárias da nossa sociedade, tudo têm feito para tentar passar para a opinião pública a ideia, através de falsos moralismos, de que um feto é por si só um ser "humano" semelhante a todos nós, utilizando para o efeito a mais baixa argumentação, na tentativa de fazer constar em termos legislativos a definição de que um embrião, ou até mesmo um óvulo, seja equiparado e uma pessoa, com direitos e protecções, imagine-se, superiores aos da própria mulher - Como se uma mulher não fosse um ser humano; que pensa; que sente; que possui sentimentos e inteligência - Este é um comportamento demasiado ignóbil e absurdo, para que possamos ficar calados.
Um óvulo fecundado, ou seja, um embrião com dez a doze semanas de gestação não é mais nem menos do que de um potencial ser “humano” no futuro, mas não passa disso, de facto ele ainda não existe como tal. Porque se assim fosse e, continuando na perspectiva do absurdo e da estupidez, poder-se-á afirmar que o ciclo menstrual da mulher é por si só um atentado à vida humana, visto que com a perda desse óvulo, perder-se-á a criação de um potencial ser humano. E já agora, esses movimentos recém criados pró-vida, deveriam propor também legislação, no sentido de proibir a masturbação masculina pelos mesmos motivos.
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4. Para uma mulher, ser mãe é um privilégio, mas deve ser também uma opção.

A humanidade ao longo dos séculos travou inumeras batalhas, algumas delas bastante sangrentas, pela igualdade política, social e económica das mulheres. Essas vitórias perderão todo o significado se à mulher não lhes for dada a opção de escolha do planeamento e da decisão reprodutiva .

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5. A proibição do aborto é eleitista e discriminatória
A proibição do aborto é discriminatória em relação às mulheres de baixo nível sócio-económico, que são levadas ao aborto auto-induzido ou clandestino, os chamados abortos de vão de escada. As que têm posses podem sempre viajar para o estrangeiro e aí obter um aborto seguro.

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6. A proibição do aborto aumenta o recurso ao aborto

Muitos abortos poderiam ser evitados se as mulheres pudessem discutir abertamente a sua gravidez. Isto é, se o Serviço Nacional da Saúde funcionasse de acordo com o que está determinado na Constituição da Republica Portuguesa, dando a cada português a oportunidade de ter um “médico de família” para o seu agregado.

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7. O primeiro direito da criança é ser desejado, para poder ser amado
Quando as mulheres são forçadas a levar uma gravidez indesejada até ao fim, o resultado é uma criança indesejada. Todos sabem que elas estão entre os mais trágicos casos sociais, frequentemente abandonadas, violentadas, não-amadas ou brutalizadas.
Quando crescem, estas crianças estão frequentemente em séria desvantagem e, por vezes, em rota de colisão com as normas elementares da vida em sociedade. Uma criança precisa de amor, de uma família que a queira e se preocupe por ela.

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8. A possibilidade de escolha é boa para as famílias
Mesmo quando são tomadas precauções, os acidentes podem acontecer e acontecem. Para algumas famílias isso não é problema. Mas para outras pode ser catastrófico. Uma gravidez indesejada pode aumentar tensões, romper a estabilidade, desfazer famílias e empurrar as pessoas para baixo do limiar de pobreza.

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O aborto não deve ser encarado como método contraceptivo. Produz sofrimento físico e psicológico. Mas a sua proibição produz muito mais sofrimento. O Planeamento Familiar é a resposta. O aborto deve ser a última solução.









Manuel Bancaleiro

15/06/2006

O próximo Tema que me proponho abordar neste Bolg, não é menos controverso nem menos apaixonante do que o tema a religião :
O ABORTO.
Ele representa um trauma para milhares de famílias e é ao mesmo tempo arma de arremesso e falsos moralismos por parte de alguns sectores mais retrógrados da nossa sociedade.
É também, infelizmente, revelador de toda a hipocrisia das classes políticas que nos têm governado nos últimos anos.
Espero assim, poder dar um contributo por forma a alterar comportamentos e mentalidades medievais e esclarecer na medida do possível tudo aquilo que está em causa.

Manuel Bancaleiro

18/01/2006

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

José Carlos Ary dos Santos - 7 de Dezembro de 1937 / 18 de Janeiro de 1984

Ary dos Santos, pode e deve, ser considerado com toda a justiça, um dos mais talentosos Poetas contemporâneos. Reconhecido nos meios culturais como o autor de grandes poemas para canções. Ele foi o grande vanguardista da renovação da música ligeira portuguesa.
Foi um homem de grandes causas e ideais, um lutador, um anti-fascista, tendo a actividade politica influenciado profundamente a sua vida e obra.
Conhecido pela sua linguagem irreverente e ágil, Ary dos Santos considerava ser a poesia a maneira que tinha de falar com o povo porque "ser poeta é escolher as palavras que o povo merece.

Ary dos Santos, o prémio nobel da literatura, bem como outros grandes vultos da cultura portuguesa, estão de uma forma propositada a serem branqueados, ocultados e praticamente ignorados na politica cultural e de educação neste País só pelo simples facto de serem Homens de esquerda. É vergonhoso.



AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU
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Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão
....
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigoa malta dá-te razão
......
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer....







Manuel Bancaleiro

02/11/2005

O SURGIMENTO DA RELIGIÃO

Esta será a minha última publicação referente a um tema tão apaixonante e controverso - a Religião .
A religião surgiu numa determinada etapa do desenvolvimento socio-económico da humanidade, isto é indubitável , é cientificamente correcto.
Sobre esta prespectiva, entende-se por desenvolvimento socio-económico a forma como a humanidade está organizada sob o ponto de vista social, politico e económico. A estas formas de organização deu-se o nome de "Formações Socio-Económicas.
Até aos dias de hoje a humanidade já conheceu quatro tipos de Formações Socio-Económicas :
- Sociedade Primitiva ;
- Sociedade Esclavagista;
- Sociedade Feudalista;
- Sociedade Capitalista.
Como é do censo comum, o Homem, ao longo da sua existência, nem sempre foi religioso, muito antes de o ser, ele foi "mitológico", pese embora, muitos historiadores, classificarem a mitologia como fazendo parte da religião, isso não é pacifico, porque muitos outros cientistas afirmam que tal opinião não corresponde totalmente à verdade.A humanidade conheceu até aos dias de hoje três formas, ou correntes de pensamento: a Mitologia , a Teologia e por último a Filosofia .
O surgimento da religião está directamente relacionado com o processo da sedentarização da humanidade.
Hoje, pode afirmar-se sem quaisquer sombras de dúvidas que a religião teve a sua origem nas tribos pastores.Como se sabe, o processo da sedentarização não foi homogéneo ( ainda hoje há tribos nómadas), o Homem não tinha um passado histórico, isto é, desconhecia por completo tudo o que o antecedeu, também não possuía uma noção cientifica sobre o amanhã...vivia apenas do momento para o momento, a experiência e o conhecimento adequerido, não eram transmitidos, porque a esperança média de vida situava-se entre os 23 a 28 anos.
Daí afirmar-se, que a causa determinante para o surgimento da religião foi a causa gnosiológica e o objectivo primeiro, foi o domínio por parte das tribos pastoras de todas as outras tribos sedentárias (pescadores, agricultores) bem como, de algumas tribos nómadas, que foram transformadas em tribos guerreiras, para assim, defenderem os interesses patrimoniais , exercer o domínio e subjugarem todas as outras tribos mais fracas e mais carenciadas , à vontade das tribos mais fortes e poderosas - Os Pastores.
Como tal, a religião surgiu para exercer o domínio e para subjugar os mais fracos ( a maioria ) ao poder dos mais fortes ( a minoria ) e não é de estranhar que a quase totalidade das religiões tenha como simbologia o “Pastor”.
Pelas razões acima expostas, pode-se afirmar, que a causa do surgimento da religião está inequivocamente ligada, desde o seu inicio à exploração do Homem pelo Homem .







Manuel Bancaleiro

27/10/2005

COMO SURGIU O HOMEM

Para melhor podermos compreender o surgimento de um determinado fenómeno, é importante conhecer as causas primeiras que lhes deram origem. E isto aplica-se a tudo na vida.

Como não podia deixar de ser , também o surgimento da religião teve o seu inicio , com as causas, motivos e objectivos primeiros. Daí ser de primordial importância saber como é que a humanidade surgiu e evoluiu ao longo dos tempos.

CAPITULO I

Explicação cientifica sobre a origem do HOMEM

Australopithecus


O Australopithecus cujo o nome significa " macaco do sul ", apareceu há cerca de 5 a 7 milhões de anos atrás durante a era do Plioceno.
Media cerca de 105 a 115 centímetros de altura e tinha um cérebro mais ou menos do tamanho do de um chimpanzé. Os Australopitecos já andavam na posição vertical e já usavam ferramentas rudimentares, como paus e pedras , na sua forma original, isto é, sem que esses utensilios tenham sido modificados para uma determinada utilizaçao.Muito provavelmente, nessa Era, ainda não utilizavam a fala como meio de comunicação.
Durante os 2,5 milhões de anos seguintes, eles dominaram o planeta, evoluíram, criaram novos hábitos de alimentação, começaram a incluir a carne na sua alimentação, o que deu origem a altarações profundas do fóro fisiológico, nomeadamente através de uma diminuição no tamanho do estômago, ( pois a carne é mais fácil de ser digerida do que vegetais) tendo resultado também num aumento substâncial de massa encefálica. Toda essa evolução é responsável pelo surgimento numa nova espécie : O Homo Habilis. Isto é, o Homo Habilis, teve a sua origem num longo processo metamorfósico.

HOMO HABILIS

O Homo Habilis cujo o nome significa " homem habilidoso ", surgiu há aproximadamente 2 milhões de anos, já trabalhava as suas próprias ferramentas começando talvez por uma simples pedra ou um pau. O seu cérebro era um pouco maior do que o do australopiteco , sensivelmente, um pouco menos de metade do cérebro do Homem actual, contudo já possuía uma grande habilidade e mobilidade nas mãos.

O Homo Habilis levava uma vida nómada nas savanas, alimentava-se de carne, obtida através da caça, de frutos e outros vegetais. Alguns cientistas consideram-no apenas um Australopiteco evoluído, mas ainda dentro da mesma espécie, vindo a dar posteriormente origem ao Homo Erectus .


Homo Erectus

O Homo Erectus cujo o nome significa " homem direito ", surgiu há aproximadamente 1,8 milhões de anos atrás.
Com uma altura já muito próxima da do homem contemporâneo, o seu cérebro tinha o tamanho um pouco superior à metade do nosso.

Quanto ao Homo Erectus , poder-se-á dizer que já possuia inteligência, tendo nessa Era passado a dominar o uso de uma das mais importantes e poderosas ferramentas que o homem conheceu até aos dias de hoje : O FOGO
A partir dessa Era, passou a manter uma estrutura social complexa e a viver agrupado em comunidade.
O uso do fogo distinguiu o Homo Erectus de todas as espécies que lhe haviam dado origem anteriormente.
Esta espécie tão bem sucedida no seu desenvolvimento , rapidamente deu origem ao Homo Sapiens .

Homo Sapiens

O Homo Sapiens ( poder-se-á dizer que é a origem da nossa espécie ) surgiu há aproximadamente 250 mil anos atrás, como resultado da adaptações de Homo Erectus ao meio em que eles viviam.

Desde então o Homo Sapiens tem estado em constante evolução, aumentando o número de exemplares cada vez mais, extinguindo todas as outras espécies que se lhes opõem. Tornou-se o " animal " dominante do planeta.

A " Invasão Humana " tem inicio há 120 mil anos atrás, com uma grande erupção de um vulcão que afectou todo o planeta, estima-se que somente cerca 10 a 15 mil Homo Sapiens tivessem sobrevivido.


É o inicio a uma nova eraA Era Glacial.


Á cerca de 70 a 80 mil anos atrás, Homo Sapiens chega à Europa e passa a ser conhecido como Homem de Cro-Magnon, entra em contacto com o Homem de Neandertal, gerando um conflito permanente o qual é quase sempre o Homo Sapiens que vence, o que leva a que a população de Homens Neandertais diminui-se drasticamente e levasse por completo à sua extinção há cerca de 35 mil anos atrás.
Há 30 mil anos dá-se o inicio da nova Era Glacial e é a partir daí que o homem entra num longo e doloroso processo de sedentarização começando a praticar a pastorícia e a agricultura .

CAPITULO II

Explicação da religião sobre o surgimento do Homem


A religião através do seu livro de conduta ( Bíblia ) tem a seguinte versão sobre o aparecimento da raça Humana, que é a seguinte:


Segundo o que está escrito no livro do Génesis, que é o primeiro livro da Bíblia, que faz parte do Pentateuco, isto é , um dos cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria, segundo a religião, é atribuída a Moisés - Adão foi o primeiro ser humano ao cimo da terra.

Uma nova e superior espécie criada directamente por Deus.


A narrativa bíblica, diz que Deus "fez o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o folego de vida e ...na continuação da saga, afirma que Adão não tinha uma alma, mas que se tornou numa alma vivente.
E continuando a teoria bíblica sobre o surgimento da humanidade, tal como Adão, Eva também foi criada directamente por Deus.

Diz o texto que Deus tirou uma costela a Adão enquanto este se encontrava num sono profundo e eis que surgiu a mulher.
E assim na primeira sexta-feira, do sexto dia da Criação, quando o mundo era inocente e puro, Adão e Eva estavam vivendo no Jardim do Éden, recentemente criado pelas mãos de Deus.
Deus, havia-lhes ordenado: "Não comam da árvore do conhecimento, pois no dia em que o fizerem, tornar-se-ão mortais.
" Tiveram então duas opções: abster-se de comer o fruto da árvore e viver para sempre no Paraíso;
Ou comê-lo e serem banidos para o mundo da mortalidade.

Em apenas três horas da sua criação, comeram o fruto da dita "árvore”.
Deus permitiu que Adão e Eva permanecessem enquanto durasse o Shabat, mas quando este terminou, foram expulsos do Éden para sempre.

Esta é uma história intrigante e desperta várias questões, senão vejamos:
Deus criou dois seres humanos perfeitos e à sua imagem, sem nenhuma malícia ou "defeito" .
Ele, o Todo Poderoso, ordenou-lhes explicitamente para não comerem o fruto de uma determinada árvore. Mas mesmo assim, estas duas almas inocentes, que jamais haviam sido expostas a influências corruptoras, desobedeceram-no em poucas horas.
Poder-se-á então dizer, que é muito provável que alguma não correu lá muito bem com sua criação. Ou então, o inimaginável - havia algo de errado com o criador.
Sendo vontade do Criador que Adão e Eva vivessem para sempre no Paraíso, num estado Divino de pureza, inocência e imortalidade. Deus enganou-se redondamente em apenas três horas…
E em resposta a essa desautorização, Deus que não é vingativo disse:
"Por que o fizestes, morrerão, comerão o pão pelo suor dos vossos rostos, e tu Eva ,em dor darás à luz."…

O papel atribuído à mulher na Bíblia é que ela é um mero complemento do Homem, e a expressão "tem de tornar-se uma só carne", denota o tipo de vínculo que deveria existir entre ambos.
Adão e Eva geraram Caim, Abel e Set, e mais umas dezenas outros filhos e filhas.

Segundo a bíblia, pese embora o facto de Adão e Eva terem cometido o pecado de ter comido o fruto proibido, eles terão vivido 930 anos. Contudo Deus que não é vingativo por eles não terem acatado a sua ordem,condenou toda a humanidade , privando-a da perfeição e da perspectiva de vida infindável.
Incrível, não é?

Em qual das versões você acredita?

Manuel Bancaleiro

05/10/2005

AS CAUSAS DO SURGIMENTO DA RELIGIÃO


Para o próximo trabalho que me proponho publicar, sobre as causas do surgimento da religião deixo aqui algumas definições filosóficas para melhor compreensão das causas do surgimento desse fenómeno.
******************
LÓGICAÉ a parte da filosofia que estuda as leis e as condições do sistema ordenador e coordenador do pensamento;
********************
DIALÉCTICAArte de argumentar ou discutir segundo os princípios da Lógica ;
********************
METAFÍSICAParte da Filosofia que estuda o conhecimento das causas primeiras;
********************
DOUTRINACorrente de pensamento filosófico;
*********************
MATERIALISMOCorrente de pensamento filosófico que só admite a existência de matéria e do movimento. Sendo apenas estes dois elementos os responsáveis por todos os fenómenos da física, da vida e da consciência;
***********************
MATERIALISMO HISTÓRICO É uma teoria cientifica da História, segundo a qual o fenómeno económico determina, ou pelo menos afecta profundamente, a evolução social, intelectual e politica em todos os seus aspectos;
**********************
GNOSIOLOGIATambém chamada por vezes de Gnoseologia, ou Filosofia do Conhecimento. Tem como objectivo o estudo do conhecimento Humano.
**********************

A Filosofia divide-se em três partes fundamentais :
**********************

ONTOLOGIAFilosofia Existencial : Filosofia do Ser .
Que se subdivide em :
  • Cosmologia - Filosofia da natureza·
  • Antropologia Filosófica - Filosofia do humano·
  • Teologia Natural - Filosofia da existência da natureza e do ser (Deus)

*********************

GNOSIOLOGIAFilosofia Intelectual : Filosofia do Conhecimento.

Que se subdivide em:

  • Lógica: Filosofia da forma do conhecimento·
  • Crítica: Filosofia do valor do conhecimento·
  • Epistemologia : Filosofia da Ciência .

********************


DEONTOLOGIA Filosofia Comportamental : Filosofia do dever.

Que se subdivide em :

  • Ética: Filosofia da moralidade do agir humano·
  • Política: Filosofia do agir humano na sociedade·
  • Estética: Filosofia da sensibilidade humana .


Manuel Bancaleiro

28/09/2005

RELIGIÃO O ÓPIO DO POVO

Os Porquês??




A falta de respostas a muitas questões, que a humanidade ainda não conseguiu encontrar através de uma explicação cientifica, aliadas à ignorância , à falta de instrução e de conhecimento cientifico, leva a que milhões de pessoas se refugiem na religião.
***

O conceito e a existência de Deus , (no meu caso, em que fui educado num país católico, do Deus único) nunca foi algo em que depositasse ao longo da vida muita fé.
***
Embora em criança tenha sido educado , por força de um regime totalitário, segundo os principios da fé católica... a verdade é que, ao contrário de muitos dos meus amigos e colegas, nunca liguei muito à religião e à sua divindade.
A minha atitude resumia-se a um «se me dizem que foi Ele que criou tudo e tudo gira à sua volta e é feito à sua imagem, por mim achava que o tipo devia dormir demasiado ou andar distraido com outros afazeres»;
***

Ou seja, não era sim nem não, era "nim", e dedicava-lhe uma indiferença total. É claro que nessa altura, tal como todos os outros, a minha capacidade para pensar e aplicar a minha razão e conhecimentos num assunto tão controverso era mínima, portanto só quando comecei a adquirir os conhecimentos mínimos necessários e a necessidade de obter certas respostas é que o assunto se revelou mais problemático.
***

Como sempre fui e sou bastante materialista , pela dialéctica (talvez neste caso seja preferível dizer existencialista), a minha primeira dúvida acerca das divindades sobrenaturais passou pela minha incompreensão sobre o seu próprio aparecimento e consequente formação do Universo.
***
Outra das minhas dúvidas dizia respeito às qualidades que supostamente Deus deveria apresentar, segundo os dogmas católicos: omnipotência, bondade, justiça e omnipresença.
***


O problema, é que se o nosso planeta é assim, então há algo de muito errado no conceito de bondade e justiça...
***
Enquanto não se encontra uma resposta cientifica para todas as questões, a minha "luta" é para que as pessoas pensem em tudo o que acreditam... e se a sua razão lhes der respostas válidas sobre o que acreditam, tanto melhor.
***
Se tal não acontecer, ponham a hipótese de que aquilo que pensam ser uma verdade absoluta, poder ser completamente absurdo , em vez de se deixarem guiar cegamente pela religião.
***
É que, por incrível que pareça, todos os livros que eu li até hoje seguem a seguinte regra: os que tentam desmistificar a religião fazendo uso da ciência e aplicando a lógica e a razão e os que, pelo contrário, a têm por verdadeira, usam apenas e só a fé, como se a crença em religiões fosse algo de irracional!
***
E como , em meu entender, a fé é simplesmente preguiça mental, não entendo porque não usam os crentes na fé, a lógica e razão para provarem que estão certos.
***
Bem, o facto é que até hoje nunca consegui encontrar um livro defensor de Deus/Jesus/Religião com propostas que não se baseassem apenas em fé...O essencial nisto tudo é PENSAR, em vez de aceitar cegamente tudo o que nos dizem que é divino.
***

Até hoje, para além da História, que é fundamental para conhecer o ambiente em que surgiram os primeiros mitos e também a evolução da mentalidade humana ao longo da nossa evolução( nisto falarei mais á frente, quando referir os conceitos básicos sobre a evolução da humanidade).
***
"O texto seguinte é um pequeno texto dedicado a todos os que não sofrem de preguiça mental, quer sejam crentes ou não em alguma entidade sobrenatural .
Longe de mim a intenção de poder ferir sencibilidades.

O que abaixo se transcreve á da autoria do pensador livre, que teve a sorte de ter nascido fora dos tempos da inquisição : ENRICO RIBONI, tem o poder da verdade histórico-cientifica... impossivel de apagar.
***
Contra a verdade dificilmente se consegue encontrar argumentos.
***
"A Página Negra do Cristianismo - 2000 Anos de Crimes, Terror e Repressão".
***
"Acreditar num deus cruel, faz um homem cruelThomas Paine

***

Há cerca de 2005 anos, nasceu na Galileia um fundador de uma seita, que acabaria por ser crucificado uns trinta anos mais tarde.
A seita que ele fundou tornou-se, com o passar dos anos, na maior de todos os tempos.
Ela acabou por tomar o poder político dentro do Império Romano, aboliu a liberdade de religião, depois juntou montanhas de cadáveres.
Os seus membros massacraram milhões e milhões de “infiéis”, “hereges”, “feiticeiras” e outros, depois matar-se-ão entre eles próprios, levando a Europa às guerras mais ferozes que ela conheceu até hoje.
***

Com um passado destes bem poderia e deveria incitar à modéstia, mas os cristãos reivindicam o contrário, o monopólio da ética.
Proclamam que adoram o Deus único, que deus é “amor”, e consideram-se os melhores de toda humanidade.
É a única ideologia, capaz de dividir com o nazismo e o fundamentalismo islâmico o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da história humanidade.
O cristianismo mantém-se uma ideologia dominante em muitos países ocidentais.
***

Chegou a hora de abrir o “Livro Negro do Cristianismo: 2000 anos de terror, perseguições e repressão”, que resume algumas das piores atrocidades cometidas em nome dessa ideologia que pretende promover o amor ao próximo.

Ano 1º.
“Os deuses já não estavam, e Deus não tinha ainda chegado”

O Império Romano garantia a liberdade de culto. O ateísmo e a razão dominavam. É nessa época que surge um sujeito que, segundo dizem certos judeus, perdeu o juízo porque leu o Torah demasiadamente jovem.
Fundou uma seita que teve como objectivo único proibir o culto dos outros deuses, excepto o seu.
O culto da personalidade do fundador da seita atinge, nos cristãos, um nível que nem mesmo o estalinismo o virá a igualar.
Foi proclamado “verdadeiro homem e verdadeiro Deus” (“Deus-Homem”, em linguagem comum). Os que ousaram duvidar disso foram proclamados imediatamente hereges, e sofreram mais tarde os raios da Inquisição. A partir do século IV da nossa era, começará o assassinato dos não-crentes pelos cristãos.
Anos 50-70

Foram os anos do desenvolvimento da seita Cristã .
Os textos gregos, escritos por membros dessa seita fora da Palestina (“Os evangelhos”) relatam a vida do fundador: nascido duma virgem, que se manteve virgem mesmo tendo vários outros filhos, ele terá sarado doentes, mas também amaldiçuou uma figueira que terá ficado instantaneamente seca, e fará precipitar num lago centenas de porcos que lhe não pertenciam .
A intolerância religiosa dos cristãos, que visaram abertamente, desde o início, impor uma interdição aos cultos de deuses que não o seu, o qual eles insistem ser o “único Deus”, começa logo a atrair a atenção da justiça romana, que defende a liberdade de culto, a qual é um dos pilares dessa sociedade complexa e multicultural que é o Império Romano dos primeiros séculos da nossa era.

Ano 312

Tomada do poder pelos cristãos.
No fim duma guerra civil, Constantino toma o poder. Pouco depois ele converte-se oficialmente ao cristianismo, e “autoriza”, num primeiro tempo, o culto do deus único cristão, pelo Édito de Milão: foi o início da perseguição religiosa na Europa.
Pouco a pouco o culto dos outros deuses, exceto o deus cristão, foi sendo proibido. Os santuários clássicos vão sendo destruídos ou transformados em igrejas cristãs.
No fim do século IV, não haverá mais nenhum templo pagão em toda a bacia do Mediterrâneo.

Ano de 380

O imperador Teodósio proclama oficialmente o Cristianismo a única “Religião de Estado”. Mas ainda será necessário esperar mais 12 anos para que todos os outros cultos sejam definitivamente proibidos.

Ano de 389

Teófilo, hoje Santo Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos.
Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio.
Essa loucura destruidora só virá a culminar em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca.
As pedras dos santuários destruídos virão a ser usadas para edificar igrejas para a nova religião única : a cristã.
Em seguida e para demonstrar que ele é capaz de perseguir também cristãos (na medida em que eles não sejam 100% ortodoxos), Teófilo comanda pessoalmente as tropas que atacam e destroem os mosteiros que aderiram às idéias de Orígeno, um teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que deus era puramente imaterial.

Ano de 389

Pela primeira vez, um chefe cristão dita a um imperador a política a ser seguida. Santo Ambrósio de Milão levanta-se em plena catedral e, com o sentido de caridade tão particular aos cristãos, impõe que o imperador anule a ordem que dera ao bispo de Calinicum, para que sobre o Eufrates, reconstruísse uma sinagoga que ele e a sua congregação tinham destruído.

A Igreja toma partido, assim, desde o princípio, dos incendiários de sinagogas, posição que continuará a manter até ao ano de 1940.

Foi nessa época que aconteceram na Germânia as primeiras execuções de hereges, uma bela tradição que a Igreja desenvolverá com a Inquisição e a perpetuará até 1826.

Ano de 391

Uma multidão de cristãos, guiados por Santo Atanásio e Santo Teófilo, deita abaixo o templo e a enorme estátua de Serapis, em Alexandria, duas obras-primas da antiguidade. A colecção de literatura do templo também é igualmente destruída.

Ano de 412

Cirilo, hoje Santo Cirilo, doutor da Igreja, é nomeado bispo de Alexandria e sucede ao seu tio Teófilo. Excita os sentimentos anti-semitas difundidos entre os cristãos da cidade e, à frente duma multidão de cristãos, incendeia as sinagogas da cidade e faz fugir os judeus. Em seguida encoraja os cristãos a tomar os bens dos fugitivos, que foram obrigados a deixá-los para trás.

Ano de 415

Hepatia, a última grande matemática da Escola de Alexandria, filha de Theon de Alexandria, é assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitados por Cirilo, patriarca de Alexandria, que será depois canonizado pela Igreja.
O motivo dessa acção foi que a brilhante professora de matemática representava uma ameaça para a difusão do cristianismo pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O facto de ela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos.
A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia.
Alexandria deixou assim de ser o grande centro de ensino das ciências do Mundo Antigo.
Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, por outro lado, mergulha no obscurantismo, do qual começará a sair mais de um milênio depois.
Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a “Doutor da Igreja”, em 1882.

Séculos V a XV

Idade Média Cristã
Aproveitando o desaparecimento das grandes bibliotecas romanas e na ausência quase total da atividade editorial na Europa, a Igreja obtém, de facto, um monopólio sobre o conjunto da escrita e da informação.
O povo é deixado propositadamente na ignorância, a leitura da Bíblia é desencorajada mesmo no caso de se ter acesso a um exemplar. Pouco a pouco, a Igreja impõe o seu domínio sobre a sociedade. A inquisição, o celibato dos padres ,o carácter obrigatório do casamento antes de qualquer relação sexual, são todas instituições que datam dessa época.
É também nessa época que se desenvolve o que se tornará uma das mais ricas tradições cristãs: queimar pessoas vivas. Cerca de um milhão de “bruxos” serão torrados durante a Idade Média.


Séculos XI e XII
Em face do crescimento da população da Europa, a Igreja propõe um método de controle populacional “natural”: as cruzadas.
O apelo às cruzadas foi lançado em 1095. Em 1099 Jerusalém é “libertada”: logo que as tropas cruzadas entraram na cidade, o governador muçulmano rendeu-se sob a promessa da população civil ser poupada.
Claro, a totalidade da população (que compreende essencialmente judeus e muçulmanos) é passada pelas armas nas horas seguintes...mas com o cuidado de antes violentarem todas a mulheres e decapitar as crianças. Estima-se em cerca de 70.000 o número de civis massacrados.
A última fase do massacre passa-se nas sinagogas e mesquitas da cidade, onde os habitantes aterrorizados se refugiaram: pensaram que o carácter religioso dos locais podesse inspirar os piedosos cruzados à clemência. Nada disso aconteceu: os cruzados entram e transformam os locais de culto em vastas carnificinas. O massacre de milhares de civis amontoados na grande mesquita da esplanada do templo dura várias horas. “Tudo o que respira” na cidade foi morto, informam com orgulho os comandantes dos cruzados. Tudo isto em nome de um Deus único.

Ano de 1231

Fundação da Inquisição. O Santo Ofício, durante toda a sua história, queimou mais de um milhão de pessoas, essencialmente hereges, judeus e muçulmanos convertidos e também os “bruxos”. A última feiticeira será queimada em 1788. O último “herege” chegará à sua vez em 1826.
A inquisição e os seus imitadores protestantes queimam também médicos e cientistas, desde que haja uma oportunidade.A Igreja nunca se arrependeu dos actos da Inquisição e até garantiu a continuidade histórica da instituição até aos nossos dias, limitando-se apenas a mudar-lhe o nome: será necessário esperar que Pio X, em 1906, faça que o “Santo Ofício da Inquisição” seja renomeado como “Santo Ofício”, e em 1965, para que seja rebatizado como “Congregação para a doutrina da fé”.
Enfim, em 1997, o papa abre os arquivos do Santo Ofício, e historiadores escolhidos a dedo são autorizados a fazer pesquisas.
As estimativas do número total de vítimas da inquisição são então revistas para cima, havendo um consenso que roda hoje em torno de um milhão e meio de pessoas executadas, ao qual é necessário acrescentar as inúmeras pessoas torturadas e com todos os seus bens apreendidos.

Ano de 1251

O papa Inocêncio IV autoriza enfim a inquisição a praticar a tortura. A obtenção das confissões de culpa é grandemente facilitada. A inquisição pode aplicar, com base em confissões arrancadas através de tortura, penas: indo duma simples oração ou dum jejum até à confiscação dos bens e mesmo prisão perpétua. Mas ela não pode condenar à morte. Com a subtileza característica da Igreja católica, a inquisição podia “passar” um herege para a justiça comum, que o levará à morte na fogueira, com base na confissão obtida pela Igreja, mesmo com tortura. Essa subtilidade permitirá à Igreja afirmar que ela nunca matou ninguém...


Ano de 1483

Tomás de Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela. Esse monge dominicano faz uma ampla utilização da tortura e da confiscação dos bens das vítimas. Estima-se em 20.000 o número de pessoas queimadas durante o seu mandato.

Ano de 1492

O rei “muito católico” e a rainha “muito católica” (títulos dados pelo papa em pessoa!) de Espanha, expulsam os judeus.
Eles podem escolher - em converterem-se, para então poderem ser justiçados pela inquisição (que queimará grande número deles) ou partir. Mais de 160.000 judeus saíram da Espanha.
A hierarquia católica não fica indiferente a essa medida duma crueldade assustadora: ela aprova a medida, e o papa encoraja os outros soberanos europeus a inspirarem-se no exemplo espanhol.
Em toda a Europa os padres católicos mobilizam-se para obrigar os governos a proibir a entrada dos judeus expulsos.Os judeus que escolheram converter-se são perseguidos pela inquisição com uma impressionante determinação: até ao século XVIII, far-se-á o “Teste da banha de porco” aos judeus convertidos e seus descendentes: uma salada com pedaços de carne e banha de porco é apresentada ao “convertido”.
Se for notado que ele não comeu a carne suína, será queimado como “falso convertido”. Esse método será também aplicado aos muçulmanos e seus descendentes.
Se a expulsão dos judeus de Espanha foi a maior do gênero registrada na História, não foi a primeira. Na França, os prelados católicos tinham já conseguido a expulsão dos judeus em 1306, e que foi logo revogada, antes de ser confirmada em 1394. A Inglaterra já tinha procedido à expulsão em 1290. Em 1496, Portugal imita o seu poderoso vizinho, expulsando também os judeus.

Ano de 1499

Acontece neste ano o maior “auto da fé” que a História registra. Em um só auto de fé, o inquisidor Diego Rodrigues Lucero queima vivos nada menos que 107 judeus convertidos ao cristianismo, em Córdova.

Ano de 1506

“Pogrom” de Lisboa: 3000 judeus são trucidados pelos piedosos católicos, incitados pelos prelados.


Ano de 1527

Saque de Roma.

Os soldados protestantes massacram a totalidade da população de Roma, umas 40.000 almas, e pilham a cidade. O papa é salvo pelos guardas suíços. Ele fecha-se com eles no Castelo de Santo Ângelo, enquanto a população é massacrada. Ele passou um grande medo. Os suíços ganham assim uma fama profissional no estrangeiro, o que se perpetua até hoje.


Anos de 1566 a 1572

Pio V, papa. Este santo da Igreja católica vangloria-se publicamente diversas vezes de ter, durante a sua carreira de inquisidor, colocado fogo com suas próprias mãos em mais de 100 fogueiras de hereges que ele mesmo acusara, confundira e condenara.Publica também uma nova edição do catecismo oficial da Igreja, no qual o amor ao próximo e a misericórdia ocupam um lugar importante.


Ano de 1609

Expulsão dos mouros de Espanha. Depois da expulsão dos judeus de Espanha, a inquisição aborrecia-se um pouco nesse belo país.
Lança então a caça aos “morescos”, os árabes convertidos ao cristianismo. Há a suspeita de serem falsos convertidos e são executados todos os que se recusam a beber vinho ou comer carne de porco, ou que sejam limpos demais.
Com efeito, o Islamismo, contrariamente ao cristianismo, prescreve lavagens periódicas. A higiene nunca foi tão perigosa como no séc. XVI em Espanha! Enfim, em 1609, temendo talvez ter deixado passar alguns falsos convertidos, a inquisição consegue do rei a expulsão dos “morescos” para o Norte da África. O número dos expulsos é mal conhecido: as estimativas variam entre 300.000 e 3.000.000. Os expulsos chegam a terras islâmicas, onde o Corão prevê a pena de morte para os que renegaram Mahomé...

Ano de 1633

Processo de Galileu

Por ter duvidado da teoria geocêntrica de Ptolomeu, (que, diga-se de passagem, não era cristão), Galileo Galilei é obrigado a retratar-se: são-lhe mostrados os instrumentos de tortura que seriam usados se ele insistisse. O processo de Galileu só foi reaberto para revisão pelo papa João Paulo II, e Galileu é reabilitado em 1992.As suas obras já tinham sido colocadas no Índex em 1616. Passará o resto da sua vida confinado na sua casa (prisão domiciliar). Foi a sua reputação internacional de cientista que lhe evitou conseqüências mais graves.

Ano de 1788

No Cantão de Glaris, na Suíça, a última bruxa foi queimada.Esta execução da Inquisição não foi a última, e continuará queimando hereges até 1826.

Ano de 1793

Kant, professor de Filosofia em Konigsberg e estrela internacional da filosofia moderna, depois da publicação da “Crítica da Razão Pura”, publica “A religião nos limites da Razão”, onde ele coloca as doutrinas cristãs à prova do raciocínio e do “imperativo categórico”. É demais para os piedosos reis da Prússia, que empurrados pelos prelados protestantes, intervém e Kant é forçado a retratar-se publicamente, sob pena de perder imediatamente o seu posto na universidade de Konigsberg. Todos os professores universitários são obrigados a assinar, sob pena de dispensa imediata, um documento onde prometem não citar os ensinamentos de Kant com relação à religião. Como no caso de Galileu, a fama internacional de Kant o salva de conseqüências mais severas. Kant ainda pensa em se exilar, mas neste fim de século, há poucos céus clementes para pensadores que ousaram criticar aspectos da ideologia cristã. Assim acabará os seus dias em Konigsberg.

Ano de 1826

O último herege é queimado vivo pela inquisição espanhola. Uma rica tradição cristã termina. Daí para a frente, a Igreja recorrerá a meios mais sutis para matar, como proibir a assistência a mulheres que devem abortar, sabotando o planejamento familiar nos países pobres, proibindo os preservativos como modo de lutar contra a Sida, etc.


Ano de 1871

O papa excomunga todo aquele que participar de qualquer eleição do estado italiano, que é classificado como “diabólico”, porque retirou aos papas o seu poder temporal. Essa sentença de excomunhão automática não impedirá o papa de abençoar, alguns anos depois, a fundação do “Partito populare”, de inspiração católica e fundado por um padre.

Ano de 1881

Os “Pogroms” russos começam. Incitados pelos prelados ortodoxos, que difundiram um boato que o Czar Alexandre II teria sido assassinado por um judeu, multidões se juntam em mais de 200 cidades russas e destroem os bens dos judeus. Os pogroms tornar-se-ão comuns na piedosa Rússia Czarista, sobretudo entre 1908 e 1917. O mais violento dentre eles teve lugar em Kishinev, em 1913: as autoridades civis e religiosas da cidade incitam a multidão que ataca violentamente os judeus. Durante dois dias a multidão mata 45 judeus, fere 600 e pilha 1500 casas. Claro que os responsáveis (popes e políticos) nunca serão incomodados pela justiça.

Anos de 1918 a 1945

Os anos do compromisso. A Igreja católica apóia ativamente o crescimento dos totalitarismos na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao Austro-Fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados, pena que isso de pouco serve em período de ditadura.
A Igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Acção Católica, devem integrar as organizações fascistas.
O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a Acção Católica não se deixe tentar por acções antifascistas. Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita “Patti Lateranensi”, é qualificado pelo papa como “o homem da providência”.
Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano.
Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889. O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados que “A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está.
Ano de 1948

O papa declara que todo aquele que votar nos comunistas ou que ajudar esse partido de qualquer maneira será automaticamente excomungado. Essa medida divide as famílias, provoca exclusões socialmente intoleráveis para muitos e obriga à clandestinidade de numerosos comunistas nas zonas rurais.
Os curas italianos apressaram-se a traduzir essa decisão em factos, e pedem que as suas ovelhas votem no grande partido anticomunista (DC – Democrazia Cristiana). O partido DC vai-se afundar logo em seguida na corrupção generalizada nos anos 90.

Anos 80

Depois de um período de aparente liberalização, o papa João Paulo II chega à cabeça da maior seita do mundo e rende-se às mais terríveis tradições da Igreja.
A sua condenação do preservativo, como modo de luta contra a Aids-Sida, provoca um grande número de mortos, difícil de estimar. Pratica uma política activa de sabotagem às medidas de controle da natalidade no terceiro mundo. As conseqüências são difíceis de contabilizar, mas podem ser medidas em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência médica nos continentes mais pobres – América do Sul e África.
Na sua caça aos hereges, o papa suspende “A divinis”, dois teólogos alemães que tinham ousado duvidar, um da infalibilidade papal, e outro da imaculada concepção de Maria.

Anos 90
Guerras de religião na Iugoslávia

A Iugoslávia era, nos anos 80, uma das terras favoritas para férias balneares dos europeus. A publicidade iugoslava da época vendia o caráter multireligioso do país como um argumento turístico, pois se podia ver em Mostar e em outras belas cidades as mesquitas e as igrejas lado a lado. Mas o país se afundou numa série de guerras civis que se querem descrever como guerras “étnicas”, quando na verdade se tratam de guerras religiosas. O caso da guerra da Croácia é o mais flagrante. Sérvios e croatas têm a mesma origem étnica e até a mesma língua, o Croata-servo. O mais irônico é que o croata-servo (servo-croata, escrito em caracteres latinos), é hoje a língua oficial dos soldados do exército Iugoslavo que combateu em Kosovo contra a OTAN, depois de ter lutado contra os croatas no início dos anos 90. Mas a religião separa os croatas dos Sérvios: os croatas foram cristianizados por Roma e são católicos. Os sérvios foram cristianizados pelos bizantinos e são ortodoxos. Quando Milosevitch começa a agitar o espectro da “Grande Sérvia”, a Croácia declara a independência. Imediatamente o Vaticano e a R. F. da Alemanha, cujo chanceler se declarava um católico convicto, reconhecem a Croácia católica como estado independente. O Vaticano mandou para todo o mundo anúncios para que os países reconhecessem o novo estado católico. O papa multiplica os apelos, as preces e as missas pela independência da Croácia. Durante esse tempo, o ditador croata, antigo oficial superior do regime comunista e também católico praticante, deu férias para todos os seus funcionários ortodoxos, isto é, sérvios. Depois escolheu como bandeira nacional a antiga insígnia dos Oustachis, que entre 1940 e 44 tinham praticado um genocídio de cerca de 600.000 sérvios. A guerra civil iniciou-se.Finalmente termina essa guerra, e o papa beatifica o cardeal Stepinac que havia qualificado Ante Palevitc, o ditador Oustachi durante a ocupação de 1940/44, de “Dom de deus”, para a Croácia e o havia apoiado ativamente.A guerra da Iugoslávia continuou depois na Bósnia, onde os membros dos três grupos religiosos (ortodoxos, muçulmanos e católicos) se enfrentaram em uma série de combates triangulares, tendo a população civil como a principal vítima. Depois a guerra passou para o Kosovo, província agrícola sem interesse estratégico, e todos sabemos o que se passou.As guerras da Iugoslávia são um caso emblemático da catastrófica intolerância que é típica das religiões “reveladas”: as comunidades religiosas se enfrentam, neste final de século, em nome de religiões que elas receberam dos acasos da expansão dos diversos impérios (Romano, Bizantino e Otomano) desde a idade-média.***O encencial de tudo isto que acabou de ler é fazê-lo PENSAR, em vez de aceitar tudo como um dado adequerido

Manuel Bancaleiro